O furacão “Harvey” perdeu força, mas a chuva não para. O número provisório de vítimas mortais é de cinco pessoas (às 22h45 deste domingo) e fala-se em dezenas de feridos. As autoridades esperam que o número venha a aumentar. Enquanto isso, centenas de pessoas que foram apanhadas pela subida súbita das águas no Texas estão a ser avisadas pelas autoridades para permanecerem nos telhados casas casas enquanto aguardam pelo resgate. Os serviços de emergência estão a receber milhares de pedidos de ajuda desesperados e apelam às pessoas a evitarem os sótãos, optando por ficar mesmo no telhado das suas residências.

A zona mais afetada pelo furacão é Houston que, com 2,3 milhões de habitantes, é a maior do Texas e a quarta maior dos EUA. De acordo com o jornal The Guardian, os serviços de emergência da cidade receberam perto de seis mil pedidos de ajuda. Keith Smith, responsável pela comunicação do Gabinete de Gestão de Crises de Houston, revelou, citado pela CNN, que o 911 (o número de emergência norte-americano) recebeu mais de 56 mil chamadas desde as 22h de domingo. Num dia normal, são recebidos cerca de oito mil telefonemas (num período de 24 horas).

A Guarda Costeira resgatou 1.200 pessoas — incluindo 50 crianças –, 200 das quais foram retiradas das suas casas com recurso a meios aéreos. O governador do Texas, Greg Abbott, informou durante a tarde de domingo numa conferência de imprensa que foram enviados 20 helicópteros, 60 barcos e 92 ambulâncias, tal como “números” veículos próprios para serem conduzidos em casos de inundações. “Tudo o que eles pediram está a ser-lhes dado”, disse, numa conferência de imprensa na capital do Texas, Austin.

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Autoridades fecham escolas e aeroportos. Mais de 220 mil pessoas estão sem eletricidade

As águas já atingiram o segundo andar de casas, à medida que o “Harvey” — o furacão que passou a tempestade tropical e que é o mais forte a atingir os Estados Unidos desde 2005 –, despeja chuva a um ritmo inédito, segundo as autoridades americanas. As áreas a sul de Houston, a quarta maior cidade norte-americana, são as de maior risco. Os dois aeroportos foram fechados e um dos principais hospitais está a ser evacuado. As aulas foram canceladas em todas as escolas da cidade. Como o dia 4 de setembro é feriado nacional nos Estados Unidos, as aulas só deverão ser retomadas a 5 de setembro.

De acordo com o The Guardian, mais de 220 mil pessoas estão sem eletricidade na zona de Houston. Várias estradas estão inundadas e podem apenas ser atravessadas por barco. A situação já levou a comparações com o cenário vivido em agosto de 2005 com o furacão Katrina. A tempestade até agora afetou cerca de um quarto da população do estado Texas.

Texas. As imagens das cheias e dos resgates

Existe uma ordem de evacuação para mais de 50 mil pessoas em Fort Bend County, a cerca de 55 quilómetros da zona sudoeste de Houston. Segundo o The Guardian, o caudal do rio Brazos atingiu esta semana os 18 metros, mais 4,3 metros acima do que seria esperado. O valor é superior ao recorde registado em 2016, por altura da tempestade tropical Herbert.

Em Harris, as autoridades também informaram que os residentes de várias áreas devem estar preparados, colocar as bagagens nos carros e esperar pela manhã para fazer a viagem.

Os residentes das reservas de Addicks e de Barker, as duas principais barragens da zona de Houston, desenhadas para ajudar a prevenir as inundações na baixa da capital do Texas, foram informados no domingo de que uma libertação controlada de água na madrugada na zona poderia atingir as casas. Pelas 1h40 locais (7h40 em Lisboa) foi anunciada a libertação de água, antes do horário previsto, por os níveis de água terem aumentado dramaticamente nas últimas horas, segundo o porta-voz do Corpo de Engenheiros do Exército, Jay Townsend. Foi pedido aos residentes que fossem monitorizando os níveis da água e que abandonassem as suas casas caso a situação se complicasse, refere o The Guardian.

Estado de emergência decretado no Louisiana. Cheias podem durar um mês em algumas regiões do Texas

As chuvas devem prosseguir nos próximos dias, intensificando as inundações, garantiu Louis Uccellini, diretor do Serviço Nacional de Meteorologia (NWS) numa conferência de imprensa durante a manhã de segunda-feira. Durante a noite, o nível da água aumentou vários centímetros relativamente a domingo, complicando a situação para os residentes. Desde sexta-feira, caíram 76,2 centímetros. Mas a situação não deve melhorar durante o dia: segundo o NWS, a chuva deve continuar a cair esta segunda-feira, em zonas como Galveston e Houston. Uccellini acrescentou que as cheias devem atingir o pico entre quarta e quinta-feira.

Chad Myers vai ainda mais longe: em entrevista à CNN, o meteorologista disse que as cheias podem durar “um mês em alguns locais”. “A chuva está a movimentar-se para a Beaumont, para New Orleans, e é para aí que a tempestade está a ir também”. De acordo com o NWS, a tempestade tropical irá voltar ao Golfo do México nos próximos dias. Uma vez aí, irá ganhar novas forças antes de fazer uma nova passagem por Galveston e Houston. Atualmente, há 13 milhões de pessoas sob alerta vermelho, que entretanto foi entendido ao estado do Louisiana. Donald Trump decretou estado de emergência neste estado.

Brock Long, diretor da Federal Emergency Management Agency (FEMA), divulgou que a agência federal estima a tempestade possa vir a afetar cerca de 450 mil pessoas e que 30 mil possam vir a precisar de ser realojadas na sequência de um incidente que classificou como “marcante”. Lembrando que o furacão “Harvey” afetou várias regiões do estado do Texas e não apenas a cidade de Hostoun, Long frisou que o próximo objetivo da FEMA é levar os sobreviventes para abrigos. “Estamos a tentar aumentar esforços para as buscas e resgates numa jurisdição enorme”, afirmou. “Há entre 30 a 50 regiões afetadas no Texas.”

Perante as previsões, o maior centro de congressos de Dallas foi transformado num abrigo com capacidade para receber cinco mil pessoas. As autoridades locais estão a trabalhar com associações de solidariedade e hospitais para que seja aberto na manhã de terça-feira. O George R. Brown, na baixa de Houston, já começou a receber desalojados. De acordo com os números da CNN, já se encontram 2.500 pessoas no centro de congressos. Os animais de estimação também são bem-vindos, esclareceu o George R. Brown no Twitter.

Apesar de o Governo ter declarado o estado de catástrofe natural no Texas logo na sexta-feira, na expetativa da chegada do “Harvey”, os meios de socorro público não têm mãos a medir para responder a tantos pedidos de ajuda. As autoridades estão a apelar a privados que tenham camiões e barcos que colaborem com as equipas de salvamento.

“Provavelmente o pior desastre que o Texas alguma vez viu”

Ao Washington Post, William Long, o diretor da FEMA, a agência federal dos Estados Unidos da América para as catástrofes naturais, afirmou que o furacão “Harvey” será “um desastre devastador, provavelmente o pior desastre que o estado [do Texas] alguma vez viu”. “A recuperação vai durar muitos anos”, assegurou. Para ajudar as populações, já foram enviados três mil militares. A Federal Emergency Management Authority deslocou 1.800 funcionários para o Texas.

Também o Presidente norte-americano, Donald Trump, deverá deslocar-se até Houston na terça-feira. “Estamos a coordenar a logística com as autoridades do estado e locais”, garantiu a porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, numa conferência de imprensa.

Marcelo enviou condolências a Donald Trump

Marcelo Rebelo de Sousa enviou uma carta de condolências a Donald Trump pela situação que se vive no Texas. Na mensagem, publicada no site da Presidência da República, Marcelo refere que foi “com tristeza e consternação” que tomou conhecimento “das trágicas consequências da passagem do furacão ‘Harvey ‘pelo Estado do Texas, de que resultaram vítimas mortais e significativos prejuízos materiais”.

“Os meus pensamentos estão com as vítimas, os seus familiares e todos os que foram afetados por este trágico acontecimento”, referiu o Presidente. “Neste momento de perda e consternação, transmito através de Vossa Excelência, em nome do Povo português e em meu próprio, a expressão da nossa solidariedade e sentidas condolências aos familiares das vítimas, bem como os votos de rápidas melhoras a todos os feridos.”