No seu comentário habitual de domingo, Luís Marques Mendes comentou o caso das viagens à China pagas a autarcas, deputados e membros do atual Governo por um parceiro da Huawei (a empresa não revela se pagou depois as despesas com a estadia). Para o comentador, “uma empresa não investe milhares de euros numa deslocação de uma pessoa apenas por simpatia” e disse que isso “não é normal porque não há almoços grátis”.

O ex-presidente do PSD comentava na SIC os mais recentes desenvolvimentos desta polémica, que apontam para viagens feitas por altos quadros do Ministério da Saúde e da Autoridade Tributária e Aduaneira à China pagas por aquela empresa, levando já à instauração de dois inquéritos internos. O Expresso, que avançou esta notícia, garante que o ministro da Saúde, Adalberto Costa, tenciona a tomar uma decisão sobre o futuro dos quadros do seu ministério ainda esta segunda-feira.

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“Têm funções executivas, podem ter de tratar de compras do Estado, e que tem de tratar de compras do Estado tem de conhecer as empresas potencialmente fornecedoras, isso é normal”, reconheceu, para depois contrapor: “O que já não é normal é ir visitar as empresas potencialmente fornecedoras com viagens e deslocações pagas por essas empresas”.

Para Marques Mendes, “mesmo que o dirigente seja seriíssimo, se de hoje a amanhã houver contratos com essa empresa, fica sempre no ar uma suspeita de favorecimento”.

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O advogado comentou ainda o envolvimento de Sérgio Azevedo, deputado e vice-presidente da bancada do PSD nesta polémica — e que foi revelado pelo Observador — , dizendo que “ele fez muito, muito mal em ter ido à China custeado por esta empresa”.

“Um deputado não tem funções executivas, não trata de compras para o Estado, portanto não se percebe qual é a razão profissional que o levou a fazer isto”, diz. “Se não foi por razão profissional, ou foi fazer turismo à custa de uma empresa e como deputado não devia ter aceite essa situação, ou, mais grave ainda, não foi fazer turismo e ele foi pago por uma empresa que pensa quem em contrapartida vai ter a ajuda ou a influência dele no futuro.”

Marques Mendes comentou ainda os momentos de rentrée política do PS e do Bloco de Esquerda. Sobre o discurso de António Costa, o comentador sublinhou uma contradição entre o desejo de fazer consensos com o PSD para as obras públicas e fundos comunitários e os ataques ao líder do partido, Pedro Passos Coelho, neste caso por causa das críticas sobre a atuação das autoridades no combate aos incêndios.

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Em relação a Catarina Martins, Marques Mendes considera que a coordenadora do Bloco de Esquerda veio a público anunciar ao PS quais vão ser as suas prioridades para a negociação do Orçamento do Estado para 2018 e que neste caso passam pela vinculação de 11 mil professores.

Sobre os números da execução orçamental, conhecidos esta sexta-feira, o comentador também considera que a meta do défice para 2017 é alcançável, mas desvaloriza o feito, lembrando que o crescimento económico vai ser superior ao previsto no OE. E defende que o Governo e o país deviam ser mais exigente nos resultados orçamentais, para o défice e para a dívida pública.

Marques Mendes deixou ainda uma perspetiva para a subida do rating de Portugal, adiantando que a agência chinesa Dagong iria subir elevar a dívida portuguesa para o nível de investimento, o que poderá atrair mais investidores chineses.