Não é habitual — não na “Pedreira”. Mas a verdade é que o Braga mal se viu ofensivamente durante o “clássico” com o Porto, tendo terminado o jogo com zero (!) remates enquadrados com a baliza de Iker Casillas. E esse é o melhor elogio que se pode fazer à exibição dos portistas: o seu futebol não deslumbra, é certo, mas é o Porto competitivo, pressiona alto e sabe o que fazer (ou melhor: Óliver sabe) com a bola, cria ocasiões de golo — e desperdiça muitas, sendo até displicente por vezes –, não permite que o adversário as crie, vence e é líder.

Se o Porto podia ter saído de Braga com uma “sacada” de golos? Podia. O problema (leia-se: para o Porto) é que o guarda-redes bracarense, Matheus, não permitiu. O brasileiro defendeu tudo. Ou quase tudo. Só não defenderia o golo soberbo de Corona logo aos sete minutos. E este conta-se assim: Brahimi tentou driblar (como habitualmente) este mundo e o outro, entrando na área do Braga. Não driblaria e não entrou; o argelino esbarrou em Rosic e este “surripiou-lhe” a bola. Sorte ou não, o ressalto fez com que a bola acabasse mais à direita, mesmo na entrada da área, em Corona — que só tinha Nuno Sequeira à sua frente. O que se seguiu não foi sorte; foi uma obra de arte: o mexicano “picou”por cima do lateral Nuno Sequeira, isolou-se, rematando depois cruzado e sem hipótese de defesa para Matheus.

Fora o golo, o começo do jogo foi um bocejo. Se foi “rasgadinho”? Foi. Se foi o Porto a assumi-lo com bola no pé? Foi. Mas a única ocasião de golo foi — adivinhe-se? — o remate de Corona. É curto…

Tiro ao boneco? Quase. Foi ao minuto 26. O livre era ainda distante da área, ligeiramente descaído para a esquerda, Óliver bateu-o longo para o poste contrário, Felipe amorteceu a bola para Marega na pequena área, o maliano tocou-a mais para trás para Brahimi e este rematou de primeira… contra um defesa do Braga. A bola continuou na área, o ressalto sobrou para Aboubakar, mas o camaronês teve igual sorte: o corpo de um defesa dos da casa. Voltaria a insistir o Porto, agora pelo central Marcano: o primeiro remate bateu onde está bom de se imaginar, um defesa do Braga, saindo o segundo muuuuuito para lá da barra.

Até ao intervalo, duas ocasiões: uma para o Porto e outra para o Braga. Ao minuto 31, vale Matheus aos da casa. E vale a dobrar. Aboubakar, Corona e Ricardo Pereira vão tabelando à direita, o lateral cruza para a entrada da área, Aboubakar chegou lá entretanto e rematou à queima roupa para defesa por instinto do guarda-redes do Braga. Uma defesa para a frente, Marega fez a recarga e, com um reflexo que lhe trará certamente uma valente dor de rins amanhã, Matheus defenderia outra vez, agora para canto.

Depois, reagiu o Braga. Foi a primeira e única vez que incomodou verdadeiramente o Porto. Fábio Martins pressiona e saca” a bola a Felipe à esquerda, levanta a cabeça, prontamente cruza para a área e Xadas surge lá a rematar de primeira com a bota canhota. O remate saiu um palmo ao lado do poste direito de Casillas.

Após o recomeço só deu Porto. E Matheus, claro. À direita, Ricardo Pereira cruza (50′) longo para o poste mais distante, a bola cai redondinha na testa de Aboubakar, que a cabeceia como se deve cabecear: na direção da relva, batendo a bola mesmo à frente do guarda-redes. O gesto habitualmente dá golo; e só não deu porque Matheus fez uma defesa impressionante, todo no ar, e desviou in extremis para canto.

Aqui o mérito é todo de Matheus. Ao minuto 68 a falta dele é todinha de Aboubakar. O central Viana erra disparatadamente um passe, entrega a bola em Danilo e este rapidamente isola Aboubakar no interior da área. Mas tanto o camaronês quis colocar a bola, tanto a quis desviar de Matheus, que o remate saiu muito ao lado poste direito do Braga.

Pliiiiim! Ouviu? Foi o poste a estremecer na “Pedreira”. Quem rematou? O Porto, claro. Quem desviou para o poste? Matheus, claro. Telles subiu (79′) pela esquerda, olhou para a área, não cruzou e continuou a subir, olhou novamente, parou e optou por chutar, ainda de fora da área e cruzado. Matheus deu uma palmada providencial na bola e evitou o golo do conterrâneo. Contas feitas, o Porto é líder — a par do Sporting. E ainda não sofreu golos nas quatro primeiras jornadas, algo que não acontecia desde 1983/84.