A agência de notação financeira Moody’s considerou esta quarta-feira que o resultado das eleições em Angola demonstra estabilidade política, mas continua a haver “significativos desafios orçamentais e sociais” por causa da “difícil situação económica” do país.

Os resultados das eleições em Angola evidenciam estabilidade política devido à vitória do MPLA, já que promove a continuidade das políticas económicas; no entanto, o Presidente eleito vai entrar no seu primeiro mandato no meio de significativos desafios orçamentais e sociais, dada a difícil situação económica que Angola enfrenta”, escreve a Moodys’.

Numa nota sobre o resultado eleitoral da semana passada, o analista Aurelien Mali, que assina a análise, escreve que “a economia continua vulnerável à volatilidade do preço do petróleo”, que origina falta de dólares e desvalorizações cambiais, o que por sua vez dificulta a importação de bens e o repatriamento de capitais.

“A capacidade do Governo para apoiar a economia real é bastante limitado já que depois de um significativo ajustamento à descida dos preços do petróleo, o espaço orçamental disponível ficou mais restringido”, escreve a Moody’s, cuja análise da qualidade do ‘rating’ de Angola está abaixo da recomendação de investimento (‘lixo’ ou ‘junk’, como é normalmente designado).

Os resultados provisórios das eleições gerais de 23 de agosto divulgados pela Comissão Nacional Eleitoral (CNE) – que estão a ser contestadas pelos partidos políticos na oposição – dão a vitória ao MPLA, com 61% dos votos e uma projeção de 150 deputados (maioria qualificada), além da eleição de João Lourenço como próximo Presidente da República.

Concorreram nas eleições de 23 de agosto o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), Convergência Ampla de Salvação de Angola – Coligação Eleitoral (CASA-CE), Partido de Renovação Social (PRS), Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) e Aliança Patriótica Nacional (APN).