Foi confirmado no início da semana, mas o novo presidente da Uber já disse aos colaboradores que um dos objetivos é fazer com que a empresa seja admitida em bolsa daqui a, no mínimo, 18 meses e, no máximo, trinta e seis. A novidade surgiu na primeira reunião do novo presidente-executivo (CEO) e que foi transmitida para os cerca de 16 mil colaboradores da empresa no mundo. A prioridade de Dara Khosrowshahi é conhecer agora todos os responsáveis pelos vários departamentos da empresa.

Sou um lutador… E vou lutar com todos os ossos que tenho no corpo”, disse o novo presidente executivo.

A notícia do futuro IPO (admissão em bolsa) da Uber está a ser avançada pela imprensa norte-americana, mas no The Guardian, há espaço para a reação de Travis Kalanick àquela que foi a apresentação oficial do novo rosto da empresa. O ex-presidente (mas ainda acionista) da tecnológica, que está avaliada em 68 mil milhões de dólares, emocionou-se com a ovação que os colaboradores fizeram a Dara Khosrowshahi. De pé.

A empresária Arianna Huffington – fundadora do Huffington Post e membro do conselho de administração da Uber – fez uma pequena entrevista a Dara Khosrowshahi, onde contou como a família se mudou do Irão para os Estados Unidos, como perderam tudo o que tinham ganho e como essa experiência ajudou a defini-lo.

Dara Khosrowshahi tem 48 anos e era presidente da Expedia, empresa norte-americana ligada aos portais de viagens online que detém outras empresas como, por exemplo, a TripAdvisor.

Iraniano e anti-Trump. O que tem de saber sobre o novo CEO da Uber

Depois de ter estado durante 12 anos à frente dos destinos da Expedia, o novo líder da Uber tem um grande desafio pela frente: melhorar a imagem da empresa que, desde o início do ano, tem estado no centro mediático por causa de denúncias de ex-trabalhadores, processos judiciais e por comportamentos de Kalanick que foram revelados e que não caíram bem na opinião pública e nos investidores.

Em fevereiro deste ano, a empresa começou a enfrentar acusações de assédio sexual e sexismo, por parte da engenheira informática Susan J. Fowler. As recomendações, que surgiram depois de meses de investigação à empresa, não deixavam dúvidas: o conselho de administração devia “rever e reavaliar se as responsabilidades que historicamente eram dadas a Travis Kalanick deveriam ser passadas a [outra pessoa] ou partilhadas com outros membros da administração da empresa”, acrescentando que “a procura por um novo CEO devia refletir esta preocupação”.

Kalanick acabou por se afastar da empresa, primeiro temporariamente e depois definitivamente. Até que o fundo de investimento Benchmark o processou por fraude. O ex-CEO da Uber acabou por responder à acusação, afirmando que se baseava apenas em crenças e que era “vergonhoso” que avançasse com o processo num altura em que Kalanick vivia uma tragédia pessoal: a mãe tinha morrido há pouco tempo num acidente de barco.