A maioria dos sistemas de águas subterrâneas em Portugal estão poluídos devido à agricultura e pecuárias intensivas. O alerta foi dado pela Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável, através de um comunicado divulgado no site. “Os portugueses estão longe de saber que a produção de alguns dos alimentos que consomem – como o leite, a carne de porco ou os produtos hortícolas – está a contribuir para a poluição generalizada das águas subterrâneas.”

A associação ambientalista analisou 55 dos 62 sistemas aquíferos, entre 2011 e 2015 “com base na informação disponibilizada pela Agência Portuguesa do Ambiente”, e detetou a presença de azoto amoniacal e nitratos, resultantes da excessiva utilização de estrumes e fertilizantes.

“A análise efetuada aos dados disponíveis permitiu constatar que 46 sistemas aquíferos estão poluídos com azoto amoniacal e 29 apresentam poluição por nitratos”, lê-se no documento, acrescentando que os sistemas “acumulam uma reserva estratégia de água que ronda os 7.900 hectómetros cúbicos”.

A Zero considerou que se trata de uma “situação preocupante”, até porque “muitos dos pontos de água poluídos coincidem com pontos de abastecimento público”. Ainda assim, Carla Graça, vice-presidente da Zero, sublinhou à TSF que não existem riscos para a saúde, pelo menos até ao momento, uma vez que a água utilizada para consumo é fiscalizada. “Trata-se de um volume de água essencial para prevenir os riscos cada vez mais evidentes e recorrentes de escassez hídrica (…) mas a poluição pode colocar em causa a utilização atual e futura destes recursos”, refere ainda o comunicado.

Para a associação ambientalista, esta situação demonstra não só “a insustentabilidade das atividades agrícolas e pecuárias”, podendo “colocar em causa a qualidade” da água, mas também “paralisia total e a negligência das autoridades”.

“A Zero exige que o Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural e o Ministério do Ambiente avaliem de imediato esta situação e tomem medidas para a resolver no curto prazo, sob pena de se criarem situações irreversíveis, com custos acrescidos para os contribuintes.”