O governo e a polícia da Catalunha estão sob fogo cerrado. Tudo por causa da divulgação de documentos que dão conta de um alerta feito pelos serviços de informação norte-americanos para um possível atentado na cidade de Barcelona este verão. Um alerta que teria chegado dois meses antes do ataque no centro da cidade catalã, no passado dia 17 de agosto, no qual morreram 16 pessoas, mas que as autoridades teriam desvalorizado na altura.

A revelação, feita pelo El Periódico esta quinta-feira, dava conta de um contacto feito a 25 de maio deste ano pela CIA para transmitir essa informação confidencial e muito relevante. Detalhava mesmo que o Estado Islâmico (EI) estaria a preparar um ataque este verão em zonas turísticas de Barcelona, “especificamente na Rambla”.

Uma notícia que tanto o governo como os Mossos prontamente negaram, alegando que o tema não tinha sequer sido levado às reuniões de avaliação antiterroristas de 25 de maio e de 8 de junho. Inicialmente, reagiram mencionando que se tratava de uma campanha de “intoxicação e desprestígio” contra a polícia da Catalunha, a quem o Estado transmitiu que nenhum dos avisos recebidos estavam relacionados com os ataques deste mês.

No entanto, a informação acabou por ser confirmada nas últimas horas pela própria CIA. O próprio jornal El Periódico divulgou integralmente o documento que revela o aviso feito pela agência norte-americana e vários meios em Espanha, como o El Mundo e El Confidencial estão a divulgar mais pormenores sobre o que se passou.

A confirmação coloca agora em xeque não apenas as autoridades policiais da Catalunha, que acusam de não ter acautelado devidamente a segurança contra eventuais ataques, como o próprio presidente do governo catalão, Carles Puigdemont, que está a ser acusado de ocultar a verdade.

Autoridades catalãs desmentem ter recebido aviso da CIA

Em conferência de imprensa esta quinta-feira, o responsável pela administração interna regional catalã, Joaquim Forn, afirmou que a polícia local não tinha recebido qualquer aviso da CIA ou do Centro Nacional de Contra Terrorismo, acrescentando que esses avisos são feitos através de canais estatais. Porém, as autoridades regionais acabaram por admitir que receberam dicas para possíveis ataques de outras fontes consideradas não credíveis.

Forn acrescentou que os avisos foram transmitidos ao Estado, que também não os valorizou, pelo que o tema não foi levado às reuniões de avaliação antiterroristas de 25 de maio e de 8 de junho, apesar de ter sido reforçado o dispositivo de segurança na Rambla, a avenida que liga a Praça da Catalunha ao antigo porto da capital catalã.