O Presidente norte-americano Donald Trump e o seu homólogo sul-coreano, Moon Jae-in, acertaram alguns pormenores num telefonema esta segunda-feira, no rescaldo do teste nuclear levado a cabo por Pyongyang este domingo. A conversa surge depois de Trump ter escrito uma série de tweets críticos do governo de Seul, dando a entender que a estratégia de diálogo sul-coreana não é suficientemente forte.

Um comunicado divulgado pela Casa Branca dá conta de que os dois líderes terão discutido uma série de medidas com o objetivo de reforçar o poderio militar sul-coreano. “O Presidente Trump deu a sua aprovação, no geral, à iniciativa da Coreia do Sul para acabar com as restrições ao peso aos seus mísseis”, pode ler-se no comunicado. No tratado atualmente em vigor entre EUA e Coreia do Sul, Seul está limitada a ogivas de 500 kg de peso. A Casa Branca informa também que Trump deu a sua “autorização conceptual” à compra de armamento e equipamento militar norte-americano “no valor de milhares de milhões de dólares” pela Coreia do Sul.

O gabinete do Presidente sul-coreano, por seu lado, declarou que os dois líderes acordaram o fim da limitação de peso e concordaram em aplicar sanções fortes à Coreia do Norte através das Nações Unidas. Recorde-se que esta segunda-feira os EUA anunciaram numa reunião do Conselho de Segurança que irão preparar uma resolução a ser apresentada na próxima semana contra o regime de Pyongyang.

Críticas a Seul no rescaldo de teste nuclear

O telefonema surge não só depois do teste nuclear levado a cabo pelo governo norte-coreano, mas também após uma série de tweets críticos por parte do Presidente norte-americano. O New York Times resumiu as várias declarações do líder dos Estados Unidos sobre as Coreias nos últimos dias: na quinta-feira, Trump escreveu que “a resposta [para a Coreia do Norte] não está nas conversas”; no sábado, ameaçou retirar os EUA de um acordo comercial em vigor com a Coreia do Sul; e no domingo, após o teste nuclear de Pyongyang, fez críticas diretas a Seul. “A Coreia do Sul está a descobrir, como eu lhes disse, que as suas conversas de apaziguamento com a Coreia do Norte não vão funcionar. Eles só percebem uma única coisa!”, escreveu o Presidente Trump no Twitter.

Ainda no domingo, o Presidente sul-coreano reagiu às críticas de Washington, dizendo que não irá desistir do seu “objetivo de trabalhar em conjunto com os aliados para alcançar uma desnuclearização pacífica da Península Coreana”. Moon Jae-in, como recorda o Times, tem defendido o diálogo com Pyongyang, sob fortes críticas de alguma oposição. “Moon Jae-in tornou-se Presidente há quatro meses e os 50 milhões de sul-coreanos já se tornaram reféns das armas nucleares norte-coreanas”, declarou esta segunda-feira Hong Joon-pyo, líder do conservador Partido da Liberdade.

Do lado norte-americano, também a oposição a Trump aproveitou a tensão com Seul para fazer críticas ao Presidente. “Tenho a certeza que Pyongyang está a gostar de nos ver a lutar contra o nosso aliado na região”, declarou Adam Schiff, congressista democrata, à CNN.