O país que fizer maiores progressos na pesquisa sobre a Inteligência Artificial vai mandar no mundo, avisou Vladimir Putin. A tecnologia traz “oportunidades colossais” mas, também, “ameaças que são difíceis de prever nesta fase”, acrescentou o presidente russo, antevendo que, no futuro, as guerras irão ser travadas por “drones”.

A Inteligência Artificial (IA) é o futuro, não apenas para a Rússia mas para toda a raça humana“, sublinhou o presidente russo, na última sexta-feira, num discurso perante uma plateia de estudantes no início do novo ano escolar

“Quem conseguir ser líder mundial neste campo irá tornar-se no mais poderoso do mundo”, afirmou Putin, pelo que “seria muito indesejável se alguém conseguisse uma posição monopolista” nesta área. A Rússia, por seu lado, estará disponível para partilhar o conhecimento com os outros países, garante o líder russo.

As tecnologias ligadas à IA já estão a ser usadas por várias empresas, como o Facebook, a Google a a Apple, para tratar a informação sobre os utilizadores. Mas Putin sublinha que cada vez mais a tecnologia irá ser usada para fins militares. “Quando os drones de um dos lados forem destruídos pelos drones do outro lado, não haverá alternativa que não a rendição”, atirou.

Elon Musk, presidente da Tesla e da SpaceX, tem sido um dos mais ativos na sensibilização sobre os riscos destas novas tecnologias. No Twitter, o empresário — que também tem uma empresa chamada OpenAI — escreveu que “a concorrência pela superioridade na Inteligência Artificial, ao nível nacional, é a mais provável causa da terceira guerra mundial, na minha opinião”.

A inteligência artificial é uma “uma ameaça fundamental para a existência da civilização humana” e as pessoas, de um modo geral, ainda não têm perfeita noção disto, lamentou em julho Elon Musk. Numa conferência em que foi entrevistado perante uma vasta audiência de responsáveis políticos nos EUA, Elon Musk diz que, ainda que possa parecer “etéreo” imaginar “robôs a descer a rua e a matar pessoas“, não devemos esperar por esse momento para começar a regular esta pesquisa — “temos de ser proativos [na regulação], porque se formos reativos poderá ser tarde demais“.

“Neste momento, a Inteligência Artificial é uma corrida de dois cavalos, entre a China e os EUA“, afirmou à The Verge um investigador da firma Gartner. A China tem ambições claras na área da IA — tornar-se o líder mundial até 2030″, uma “ambição muito realista”, afirma o mesmo especialista, Anthony Mullen.