Há ainda muita incerteza acerca da programação expositiva de um grande número de instituições públicas, em particular museus e monumentos nacionais, onde — como já notámos em finais do ano passado, em idêntica antecipação do panorama cultural — a retração de iniciativas de fôlego parece evidente. Museus destacados parecem apáticos, senão mesmo paralisados, ainda que o acréscimo de ingressos por influxo turístico potencie meios adicionais para outro e melhor desempenho.

A três meses do tricentenário do Convento de Mafra, as informações vagas e irrisórias que nos foram prestadas pelo Ministério da Cultura sobre a exposição Do Tratado à Obra, que ali decorre a partir de 17 de novembro, ilustram cabalmente essa apatia e indiferença que só nos prejudica.

Em cidades como Porto, Viseu e Coimbra, os museus nacionais arrastam-se ao longo de semestres com poucas exposições temporárias que são alívios ocasionais (um fraco impulso de vida, como diz o cantor), ao mesmo tempo que a mobilidade de empréstimos e o diálogo entre coleções — uma das ideias mais promissoras — ficaram metidos na gaveta.

No Museu Nacional do Azulejo, por exemplo (um dos mais visitados, e com razão, mas que tem um site paupérrimo em termos digitais e informativos, que afasta quem o queira visitar, sem que alguém com tutela no sector lhe lance mão), o seu amplo espaço de exposições temporárias já conheceu melhores dias.

O Museu Nacional dos Coches apenas projecta para finais de novembro Embarque da Família Real para o Brasil, 1807-2017, baseada no quadro do francês Nicolau Delerive alusivo à saída das naus de Belém.

O Palácio Nacional da Ajuda nada mais tem a oferecer como exposição temporária do que a redobrada tentativa de legitimação de uma muito polémica decisão governamental, mostrando os maus quadros de Juan Miró confiscados ao BPN que já foram vistos em Serralves e a Serralves foram garantidos.

Em pleno Chiado, o Museu de Arte Contemporânea prolonga até março de 2018 A sedução da modernidade (1855-1920), acrescentando-lhe tão-só — ao longo de um inteiro semestre — a pequena vinheta de uma mostra dos trabalhos de Cândido Portinari que vieram para o pavilhão brasileiro da exposição do mundo português de 1940 e para ali foram adquiridos, entre os quais o inimitável Chorinho.

O Museu Nacional do Teatro estica até ao fim do ano a surpreendente exposição dos cenários e figurinos para teatro e dança do modernista António Soares inaugurada em março, acrescentando-lhe apenas a exibição do seu pequeno acervo de trajes do saudoso Ballet Gulbenkian.

No Museu Nacional de Arte Antiga, é aberta ao pública a 15 de novembro a exposição As Ilhas do Ouro Branco. Encomenda artística na Madeira (ANTÓNIO COTRIM/LUSA)

E no Museu Nacional de Arte Antiga será preciso esperar por 15 de novembro para ver As Ilhas do Ouro Branco. Encomenda artística na Madeira (séculos XV-XVI), a sua grande exposição da nova temporada, ali mantida até março — já uma primeira aproximação às comemorações dos 600 anos de descoberta do arquipélago. Na Sala do Tecto Pintado, a saudável, lúcida e frutuosa cooperação do MNAA com congéneres europeus expressa-se com Rembrandt e a história dispersa. Rijskmuseum e Colecções Reais Holandesas, a partir de 11 de outubro.

Em ano de convergentes efemérides literárias, de Camilo Pessanha, António Nobre e Raul Brandão, o Instituto Camões desperdiça a todavia anacrónica centralidade da sua sede num palacete do rotundo Marquês de Pombal, para fazer alguma coisa pela internacionalização desses escritores, demonstrando que cativações existem de facto, não são poucas nem apenas financeiras.

Aliás, quem ainda queira celebrar o quinto centenário de Francisco de Holanda, o maior artista português do século XVI, um precursor de William Blake e até um teórico do urbanismo para Lisboa, terá de ir à Biblioteca Nacional de Espanha, em Madrid, onde a partir de 10 de outubro estará patente a exposição Francisco de Holanda (1517-1584): viaje iniciático por la vanguardia del Renacimiento. Dois comissários, López de Corselas e Schiaffino, apresentam Holanda como “referência do conhecimento erudito, um nó na revolução hispânica do Renascimento, um intelectual e criador ao serviço da corte portuguesa e do rei Filipe II atraves da integração de Portugal na Monarquia Hispânica em 1580” — a exposição apenas virtual, no nosso novo Museu do Dinheiro, fechou em fim de Junho.

De resto, Madrid vai fervilhar nesta temporada de boas exposições a justificarem uma viagem a baixo custo. O Museo del Prado celebra 200 anos e promete fazer figura a partir de 21 de novembro, mostrando a obra de Mariano Fortuny (1838-174), um pintor, aguarelista, desenhador e gravador, que alicerçou muito do que fez na observação do trabalho dos grandes mestres expostos precisamente naquele mesmo museu, e o Thyssen-Bornemisza, do outro lado do Paseo, assinala um quarto de século com a grande exposição Picasso/Lautrec, a partir de 17 de outubro.

O Museo del Prado celebra em 2017 os seus 200 anos com muita pouca e promete fazer figura (Pablo Blazquez Dominguez/Getty Images)

Trata-se do primeiro estudo comparativo destes dois grandes mestres da modernidade, a partir de uma centena de obras justapostas incluindo retratos caricaturais, vida noturna de cafés, cabarés, bordéus, e naturalmente o circo. Mais à frente, no MNCA Reina Sofia, é a obra gráfica de George Herriman (1880-1944), pioneiro e valor maior do comic norte-americano, que se destaca a partir de 18 de outubro. A banda desenhada como nova — e influente — linguagem artística é valorizada como qualquer outra vanguarda histórica, contrariando a sua concepção de arte inferior ou subproduto artístico de baixa cultura e público infantil.

Em Lisboa também haverá atenção renovada a dois escritores e artistas plásticos já desaparecidos, mas cuja obra aguarda melhor e renovada avaliação. Na Gulbenkian, Paulo Pires do Vale e Nuno Vassalo e Silva organizam Ana Hatherly e o Barroco, pondo em clara evidência — a partir de 13 de outubro — o empenho da poeta de Rilkeana e artista multimédia como ensaísta, editora textual e também directora duma revista dedicada a esse subestimado estilo artístico, ao mesmo tempo que na Biblioteca Nacional Oh Vida, sê bela! exibe vida e obra do poeta, crítico de arte e coleccionador Alberto de Lacerda (1928-2007), cuja memória — dez anos após a sua morte — o persistente Luís Amorim de Sousa não se cansa de manter viva, ou de “salvar do silêncio”, neste caso numa instituição portuguesa que recebeu pro bono parte considerável dos seus papéis, um legado único acumulado durante décadas de intensa atenção a meios culturais londrinos e não só.

Idêntico cuidado com a memória de artistas relevantes mas discretos é tido na Fundação de Serralves, no Porto, onde a partir de 15 de setembro Pedro Cabrita Reis escolhe pintura, desenho e escultura de Jorge Pinheiro desde os anos 1960, numa instalação desenhada por Eduardo Souto Moura. Trata-se de um projecto em diálogo com a exposição simultânea de 90 desenhos do artista na Fundação Carmona e Costa, em Lisboa, e a edição dum catálogo pela Documenta, com um ensaio de João Miguel Fernandes Jorge e uma entrevista do artista de 86 anos ao curador e par de ofício Cabrita Reis. Uma fundação, note-se, que como nenhuma outra actualmente acompanha de perto a “nova” criação artística, e notoriamente trabalha em rede com outros espaços expositivos, desdobrando mostras em cartaz. Além de Jorge Pinheiro e Serralves, teremos ainda na Carmona e Costa um complemento — melhor dito, um diálogo simultâneo — com a exposição de Ana Hatherly na Gulbenkian.

Colaboração de arquitectos premiados internacionalmente na montagem de exposições relevantes está em voga, como sucede em Paris com Histoire de l’atelier Brancusi, no Centre Pompidou a partir de 1 de outubro, onde Renzo Piano, 79, reconstrói o estúdio do escultor e fotógrafo romeno (1876-1954) — grande amigo de Amadeo de Souza-Cardoso, em Paris — que em testamento legou ao estado francês a totalidade do seu atelier (que durante décadas lhe serviu também de galeria de arte pessoal), sob condição da sua reconstituição precisa e integral, o que em 1977 já havia sido feito na praça diante do Pompidou. O mote da exposição é que um atelier de artista é, também ele, “une œuvre à part entière”.

Histoire de l’atelier Brancusi estará patente no Centre Pompidou, em Paris, a partir de 1 de outubro (FRANCOIS GUILLOT/AFP/Getty Images)

Também no Pompidou, e até 23 de outubro, oportunidade de ver — ou de rever — a magna exposição de 2017, David Hockney, que, depois de Londres e Paris, corre rapidamente para o Metropolitan Museum de Nova Iorque, onde inaugura já a 27 de novembro. E também a grande retrospectiva que o museu dedica, a partir de 4 de outubro, a André Derain, sob o impactante título de André Dearin 1904-1915. La decénnie radicale.

Mais de 20 anos depois da anterior exibição monográfica, esta nova abordagem apoia-se no acesso recente a arquivos inéditos do pintor, desde escritos e correspondência, cadernos de desenhos feitos no Museu Britânico, mas também à sua colecção de arte africana, de estampas e outros múltiplos, mas sobretudo a sua obra fotográfica, de que foram escolhidas cerca de 50 imagens. Na Tate Britain, desde 2 de novembro, Derain também comparece em «Impressionists in London, Freench artists in exile (1870-1904)», a primeira exposição que fixa laços entre artistas dos dois lados do Canal, mentores e negociantes de arte londrinos durante um período histórico particularmente traumático, a guerra franco-prussiana, e como essa presença influenciou a arte em Inglaterra.

O Musée d’Orsay celebra, a partir de 28 de novembro, o centenário da morte de Edgar Degas com uma exposição baseada no “pouco conhecido” (sic) ensaio crítico que lhe foi dedicado pelo poeta e amigo Paul Valéry em 1936 pelo editor Volgar, e pouco anos depois adoptado pela casa Gallimard, que paulatinamente o relançou uma dezena de vezes desde então. Degas também é celebrado na National Gallery de Londres, que já a partir de dia 20 mostra pinturas, desenhos e pastéis seus pertencentes à Colecção Burrell, uma das maiores do mundo, mas raramente vista no seu todo.

Outro pintor de sempre, Paul Cézanne, tem na National Portrait Gallery da capital britânica, a partir de 26 de outubro, uma mega-exposição de retratos e auto-retratos, que saiu de Paris e depois de fevereiro segue para a National Gallery of Art de Washington. Na mesma fascinante linha, o Metropolitan Museum de Nova Iorque apresenta a partir de 14 de novembro Edvard Munch: self-portrait betweeen the clock and the bed (incluindo dezasseis auto-retratos do norueguês), mas o grande e mais inédito evento será com certeza Rostos da China: pintura de retrato das dinastias Ming e Qing (1362-1912), no Kulturforum de Berlim a partir de 12 de outubro, e a primeira na Europa especificamente focada nesse tema artístico.

Artistas por descobrir — ou redescobrir — também marcarão a temporada internacional. Adolf de Meyer (1868-1946), que retratou figuras do international set europeu fim de século e foi o autor dum raríssimo álbum fotográfico dos bailados russos de Nijinsky, está em evidência com Quicksilver Brilliance no Met de Nova Iorque a partir de 4 de dezembro.

Assinalando mais um centenário, o Rijksmuseum de Amesterdão mostra, após 6 de outubro, a pintura de Matthijs Maris, um romântico boémio (1839-1917) que viveu e trabalhou em Paris e Londres, e foi uma influência para Van Gogh e outros jovens pintores holandeses. A exposição é uma insólita parceria internacional: pela primeira vez o parlamento escocês permite que obras de Maris da Burrell Collection, formada por um magnata de marinha mercante que a ofereceu à cidade de Glasgow na condição de ela nunca cruzar mares (!), sejam mostradas em Amesterdão.

A nova-iorquina Alice Neel (1900-84) recebe a campanha articulada de várias instituições europeias, que a apresenta como “pintora da vida moderna”, distinguindo o seu retratismo de grande impacto, desde a elite cultural da Grande Maçã até familiares seus e “marginais sociais”: depois de Helsínquia e Haia, está no Museu Van Gogh de Arles até 17 deste mês, e segue para a Deichtorhallen de Hamburgo, de 13 de outubro a 14 de janeiro.

Mas a descoberta ou redescoberta de artistas faz-se também como nos propõe o Palazzo Real de Milão, com a mostra Dentro de Caravaggio, que abre a 29 de Setembro e vai a fins de janeiro. Graças à colaboração internacional de grandes museus e coleccionadores, é a primeira vez que dezoito dos seus melhores quadros — incluindo Salomé com a cabeça de Baptista da National Gallery de Londres e Marta e Maria Madalena do Detroit Institute of Arts — são apresentados juntos, e melhor ainda, ou sobretudo, tendo a seu lado imagens radiográficas e reflexográficas que permitem aperceber o complexo processo criativo de cada obra.

A National Gallery, em Londres, vai receber a partir de outubro Reflexos: Van Eych e os Pré-Rafaelitas (Dan Dennison/Getty Images)

Na National Gallery de Londres, a partir de 2 de outubro (e até abril) Reflexos: Van Eych e os Pré-Rafaelitas, expõe e debate a influência do pintor holandês — e em especial o seu Retrato dos Arnolfini, adquirido por aquele museu em 1842 — sobre o radical novo estilo de pintura dos britânicos D. G. Rossetti, J. E. Millais e W. H. Hunt, entre outros.

Em Zurique, a Kunsthhaus apresenta Elogiada e ridicularizada. Pintura francesa 1820-1880 (de 10 de novembro a 28 de janeiro, com patrocínio do Credit Suisse), promovendo uma reabilitação canónica de pintores fin de siècle que, celebrados à época (Bouguereau, Delaroche, Couture, e outros), foram literalmente arredados da ribalta artística e em especial dos discursos sobre arte nos países de língua alemã no início do século passado, embora tenham sido — também eles — precursores do modernismo.

No Solomon Guggenheim Museum de Nova Iorque, é o México arqueológico que surge fotografado pelo antigo professor da Bauhaus, artista abstracto e teórico da arte e da cor Josef Albers, em campanhas que se estenderam entre 1935 e 1967, revelando uma diferente faceta deste antigo professor da Bauhaus forçado ao exílio nos Estados Unidos em 1933 e foi professor de design gráfico na universidade de Yale.

No Grand Palais de Paris, o centenário do nascimento do norte-americano fotógrafo — e também pintor — Irving Penn é assinalado com a maior exposição dos seus trabalhos (quase 240 fotografias impressas pelo próprio) em França desde a sua morte em 2009, organizada pelo Metropolitan Museum of Art em colaboração com a fundação do artista.

Ópera: paixão, poder e política — do fim do renascimento italiano à mais recente actualidade — é a fascinante proposta do Victoria & Albert Museum de Londres (em associação com a Royal Opera House), já a partir de 30 de Setembro, apoiada pela edição de catálogos tanto em hardcore como em paperback, já disponível em venda online.

A antropologia nunca será esquecida. No Museu Britânico, Citas: guerreiros da Sibéria antiga — uma cedência do Hermitage de São Petersburgo, patrocinada pela BP — revela um povo de guerreiros nómadas, muito tatuados e dados à bebida em excesso (também fumavam marijuana como paliativo para as dores da sua vida arriscada), que de 800 a 200 a.C. estenderam a sua influência — e o devastador efeito da sua chuva de flechas envenenadas — até à China, Mongólia e Mar Negro, onde belos artefactos artísticos em ouro foram encontrados. Tinham tal apreço pelos seus cavalos (de que dependiam enormemente), que os sepultavam em cemitérios próprios, com as respectivas selas e arreios sofisticados, funcionais e requintamente decorados com cenas de batalhas e outras, depois de sacrificá-los por limite de idade em rituais nobres. Apesar de nómadas, desenvolveram uma certa forma de mumificação de cadáveres humanos e construíram sepulturas de aparato, incluindo caixões de madeira.

No Museu Britânico, em Londres, vai ser inaugurada a exposição Citas: guerreiros da Sibéria antiga, uma cedência do Hermitage de São Petersburgo, patrocinada pela BP (NIKLAS HALLE’N/AFP/Getty Images)

Em Bruxelas, o Palais des Beaux-Arts apresenta a partir de 18 de outubro Poder e outras coisas. Indonésia & Arte (1835-agora), e o parisiense Musée du Quai Branly ilustra O Peru antes dos Incas e As florestas natais: artes da África equatorial atlântica, em outubro-novembro.

Na Culturgest, em Lisboa, a partir de 14 de setembro, a história da revista norte-aemricano Aspen, dez números publicados entre 1965 e 1971, é contada a partir da colecção dum português, António Neto Alves, e enriquecida por inúmera memorabilia da cultura norte-americana daqueles anos decisivos. Cápsula do tempo é, de facto, um título muito apropriado para essa exposição histórica a partir duma publicação desenhada de forma radicalmente original, por um colectivo sucessivo, e uma aventura editorial que rompeu com os limites formais e físicos de publicações habituais, de que encontramos eventuais ecos no Cartucho poético de Magalhães, Fernandes Jorge, Alexandre e Moura Pereira (Lisboa, 1976). A curadoria é de Delfim Sardo, que fará visitas guiadas a 14 de outubro e 25 de novembro.

Num Rio de Janeiro afundado em falência e desânimo, o Museu da Imagem e do Som presta tributo a Renato Russo, líder da banda rock Legião Urbana falecido em 1996, exibindo a partir de 6 de setembro uma reconstrução do apartamento onde foi recolhido o seu espólio artístico e biográfico, tão obsessivamente organizado pelo próprio que “não tem como mostrar de outra forma”, como reconheceu a curadora Fabiana Ribeiro à Folha de São Paulo. O ambiente doméstico de Russo contrastava tanto com a sua exuberância performativa em palco, que foi decidido replicá-lo. Também o Instituto Moreira Salles resiste e mantém até 22 de outubro uma grande exposição de J. Carlos (1884-1950), quase trezentos desenhos originais deste destacado “cronista visual” do Brasil da primeira metade do século passado, e destacado colaborador das melhores revistas da época — alguém que poderíamos comparar ao nosso Emmerico Nunes (1888-1968).

Na Irlanda, o simpático Dublin Writers Museum apresenta desde Agosto uma mostra de primeiras edições, fotografias e outros materiais literários e biográficos de Lafcadio Hearn (1850-1904), reconhecido pelos seus livros sobre o Japão de finais do século XIX, e que nos interessa também como contraponto evidente do nosso Wenceslau de Moraes (dois dos seus livros foram publicados pela Cotovia).

A paisagem como grande tema contemporâneo está em evidência na Biblioteca Nacional de Paris a partir de 24 de outubro, com Paysages français: une aventure photographique 1984-2017, um inquérito desenvolvido por mais de cem fotógrafos para criar um “novo retrato” do país, entendido como “território líquido” e mutável.

E a revolução russa de 1917?

No Museu Histórico Alemão, de Berlim, 1917. Revolução: Rússia e Europa contextualiza a sua “sistémica” (sic) repercussão continental sobre todo o século passado, com ecos que “chegam até nós”. Em São Petersburgo, o Hermitage Museum mostra a sua colecção de publicações do período 1917-22, na exposição A imprensa e a Revolução, que inaugura a 26 de outubro. A intensidade da ruptura estética também interessou — e de que maneira! — a Tate Modern de Londres, que a 9 de novembro abre Red Star over Russia: a revolution in visual culture, 1905-55, a partir da imensa e “extraordinária” (sic) colecção do fotógrafo e designer David King sobre este assunto, que a instituição britânica adquiriu em 2016, também ano da morte desse colaborador do Sunday Times Magazine.

No Atomium de Bruxelas, Paper Revolution 1920-30s: le design graphique soviétique et le constructivisme também mostra, até 8 de outubro, livros, revistas, selos, postais-ilustrados e fotografias e cartazes de Rodtchenko, Stepanova, Klucis e camaradas, que induzem uma retrospectiva dessa revolução radical do design gráfico, cuja energia e lição ainda prevalecem e merecem ser celebrados. Mas se o papel foi o principal meio de propaganda política, também a porcelana ao seu serviço na revolução russa será exibida no Hermitage, a partir de 23 de dezembro.

Mostrando que, para todos os efeitos, a nossa condição periférica prevalece, no Museu Rafael Bordallo Pinheiro a herança do artista finissecular é reconhecida pelo colectivo The Lisbon Studio, na exposição Os filhos do manguito que abre a 29 de setembro, com banda desenhada, cartoon político, caricatura e ilustração, em mais uma série de versões contemporâneas ou actualizadas do tal Zé Povinho.

E em Madrid, o curador e director José Fernandes organiza no Museu Nacional Reina Sofia, a partir de 28 de novembro, Ficções do interlúdio. Pessoa e a modernidade sensacionista, numa evocação das reverberações entre nós de correntes estéticas dominantes na Europa de 1914 a 1936. Além disso, Paulo Nozolino expõe na Galeria Quadrado Azul, do Porto, a partir de 23 de setembro, vinte fotografias de 2008 a 2013, captadas em Lisboa, Paris, Berlim e Nova Iorque e em regiões rurais portuguesas e francesas, uma sequência — intitulada Loaded Shine — já vista no Círculo de Belas Artes de Madrid no contexto da PhotoEspaña e que em breve será passada a livro pela editora alemã Steidl. E em Évora, a Fundação Eugénio de Almeida recebe a 21 de outubro Instruções para um diálogo, o frente a frente organizado pela Acção Cultural Espanhola entre duas excepcionais colecções privadas de arte contemporânea, a da galerista Helga de Alvear e a do advogado Teixeira de Freitas.