Alberto Cornelio. Alberto Cornelio?! É normal se não souber quem é Cornelio.

Cornelio é tenista. Ou melhor, foi — hoje é treinador na Valencia Tennis Academy. Mas chegou a ser campeão espanhol enquanto criança e adolescente. Chegou até a ser profissional no ténis quando se fez homem. Mas nunca foi (“andei sempre abaixo do lugar 300 no ranking ATP…”) como o amigo (e adversário) de infância Rafael Nadal. Porquê? Alberto Cornelio explica, pela próprio punho, nas páginas do El País. “Os motivos são diversos mas há um que resume tudo: a exigência psicológica do ténis. É um duríssimo, exige muito de nós a cada treino, cada jogo, cada temporada.”

Ao contrário de Alberto Cornelio, Nadal resistiu à dureza do ténis. Cornelio descreve-o como uma “besta” — não no trato, mas de força. Sempre o foi, uma bestia. “A primeira vez que defrontei o Nadal, perdi. E passei uma vergonha. Tinha 12 anos e ele apenas 10. Ainda pegava [Nadal] na raquete com as duas mãos. Com esta diferença de idade o vencedor é sempre o mais velho. Nunca tinha perdido com ninguém mais novo do que eu. Mas ele ganhou-me. E quis ‘morrer’…”, graceja.

Alberto Cornelio, Kevin Anderson e Rafael Nadal num torneio em 1999 (Créditos: D.R.)

Rafael Nadal reforçou este domingo o segundo lugar na lista de vitórias no Grand Slam: somou a 16.ª no Open dos Estados Unidos (Nadal repetiu os títulos de 2010 e 2013 em Flushing Meadows) e está a somente três do suíço Roger Federer. O maiorquino, de 31 anos, venceu sem dificuldades o sul-africano Kevin Anderson por 6-3, 6-3 e 6-4.

Alberto Cornelio conheceu ambos, Nadal e Anderson, na infância. Aliás, Cornelio recorda-se do primeiro encontro entre ambos. Foi em 1999, na cidade de Estugarda, na semi-final do Mundial de Sub-12. Nadal venceria Kevin Anderson por 6-1 e 6-0. “Anderson era um bom jogador, batia forte; Nadal, por outro lado, era uma besta. Nós jogávamos nos mesmos courts de Agassi e de Kuerten, com público, e estávamos nervosos. Ele não. Era muito superior a nós.”