Restaurantes

Cuidado, está quente: SOI

O Cais do Sodré, em Lisboa, acaba de ganhar um novo espaço de comida asiática, simples, despretenciosa, cheia de sabor - e picante. Antes de ir beber uns copos passe por aqui para carregar baterias.

O que interessa saber

Nome: SOI
Abriu em: Setembro de 2017
Onde fica: Rua da Moeda, 1C, Lisboa
O que é: Um novo restaurante onde reina a descontração e a comida asiática. O ambiente jovem e a comida a puxar para o picante fazem deste sítio o local ideal para começar uma noite animada
Quem manda: O Grupo SushiCafé
Quanto custa: Entre 20 e 25€ por pessoa
Uma dica: Tentou reservar por telefone e disseram-lhe que já não dava?Não desista logo – o restaurante guarda algumas mesas para clientes que apareçam sem marcação.
Contacto: 912 895 391
Horário: Das 12h às 15h30 e das 19h às 24h (6.ª e sáb. fecha à 1h)
Links importantes: Facebook, Site

A História

A ligação do chef Maurício Vale à comida asiática tem uma origem peculiar. “A minha mãe foi uma das primeiras pessoas em Portugal a apostar no comércio de produtos de decoração tailandeses”, começa por contar. Partindo daí, não é difícil de entender o fascínio que foi evoluindo com o tempo e com as várias viagens pelo continente asiático, principalmente à Tailândia, país cuja capital, Banguecoque, “é o centro da comida de rua”, diz Maurício, antes de explicar que isto se verifica dado o sem fim de influências que aqui se reúnem. A sua chegada ao Soi começou a tornar-se realidade quando, “há coisa de dois anos”, foi convidado a fazer parte do grupo SushiCafé, depois de ter encerrado o Éden, restaurante de comida tailandesa que geria em Azeitão. “Lisboa não tinha nenhum restaurante que explorasse o potencial da comida de rua asiática”, diz. Quando surgiu a hipótese de criar um espaço neste registo, “nem hesitou”. A gastronomia tailandesa é portanto, a sua grande paixão e “o porquê?” tem uma explicação muito simples:”Eles são loucos [cozinheiros deste tipo de gastronomia], mas têm um sentido de responsabilidade pelos seus produtos e cultura incomparáveis.”

O chef Maurício Vale é o responsável pela cozinha do Soi. © Diogo Lopes/ Observador

O Espaço

Comida de rua entende-se como sendo descontraída, altamente gulosa e com tremendo potencial de nos pôr a lamber molho dos dedos alegremente. Ora se tal é assim, não se podia esperar que o ambiente do Soi fosse diferente, e o chef Maurício é o primeiro a admiti-lo, descrevendo o espaço que lidera como “louco”, mas bem apresentado. A ideia por trás da decoração vai beber influências ao imaginário de grandes metrópoles asiáticas como Banguecoque, não faltando néones, cores garridas e até uma bicicleta, que surge pendurada sobre o balcão de acesso à cozinha, onde não será estranho ver um ou outro cozinheiro de wok em chamas na mão. O espaço interior é bastante amplo, havendo mesas altas (poucas) e outras normais — umas mais pequenas, para duas ou quatro pessoas, e outras maiores, redondas, perfeitas para grupos. Para não descurar a parte “rua” de “comida de rua”, há também mesas exteriores.

A sala de refeições do Soi. Ao fundo vê-se a zona de bar/balcão, onde são preparados alguns dos cocktails que aqui também se servem. © Diogo Lopes/ Obervador

A Comida

Como uma matrioska gastronómica, o Soi é constituído por várias barraquinhas de comida de rua metafóricas, levando-nos num passeio por toda a Ásia, da China ao Japão, passando pela Tailândia e a Índia. Apesar da amálgama de sabores e influências, a carta é bastante simples e direta, dividindo-se em oito categorias: “Entradas e Saldas”, “Grill”, “Taiwan Bao”, “Asian Soup”, “Wok on Fire”, “Caris”, “Acompanhamentos” e “Sobremesas”. Quando por aqui passar, pode começar pela salada Som Tum, uma combinação fresca de papaia verde — o chef Maurício Vale, qual Camacho Costa atrás do balcão da sua mercearia nos Malucos do Riso, rejubila ao dizer que este fruto vem diretamente da Tailândia — tomate cherry, amendoim e sumo de lima (6€). Depois de a deitar a baixo, não passe para os pratos principais sem antes provar as korean chicken wings (7,50€). Daqui pode saltar para o green thai cury (14€), um clássico da gastronomia tailandesa que faz justiça à fama de ser um prato a puxar para o picante. Para acabar em beleza, escolha um lemon grass brûlée com biscoito de goiaba e especiarias indianas (5,50€).

“Cuidado, está quente” é uma rubrica do Observador onde se dão a conhecer novos restaurantes.

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