Esta madrugada, a Coreia do Norte voltou a lançar um míssil de teste que terá sobrevoado o Japão, antes de se despenhar no Oceano Pacífico. Em pouco tempo, a comunidade internacional fez-se ouvir através dos seus representantes oficiais — estas são as reações até agora.

Estados Unidos

O Governo de Donald Trump foi o primeiro a reagir ao lançamento: numa declaração oficial, o Secretário da Defesa James Mattis afirmou que o míssil fez com que “milhões de japoneses” se vissem obrigados “a correr e a procurar abrigo”, tendo o exército norte-americano anunciado, pouco depois, que o lançamento não pôs em perigo o território americano, nem mesmo a ilha de Guam, que já tinha sido classificada pela Coreia do Norte como um alvo potencial. Mais tarde foi a vez do Secretário de Estado norte-americano Rex Tillerson falar à imprensa, reforçando a ideia de que tanto a China como a Rússia deviam apertar o cerco ao regime de Kim Jong-un e manifestar “a sua intolerância” para com os sucessivos testes de armamento. Acrescentou ainda a seguinte declaração:

A China fornece grande parte do petróleo da Coreia do Norte. A Rússia é o maior utilizador de trabalho forçado norte-coreano. Ambos os países devem expressar a sua intolerância para com estes negligentes lançamentos de mísseis tomando ações diretas.”

Japão

Yoshihide Suga, representante do governo nipónico, foi o primeiro a explicar os pormenores deste lançamento. Meia hora depois, o primeiro-ministro japonês Shinzo Abe descreveu o lançamento como uma “perigosa provocação que ameaça a paz mundial” e que o seu país “não tolera” tais atos. Acrescentou ainda que “nós não podemos tolerar que a Coreia do Norte se sobreponha à forte e unida resolução da comunidade internacional em manter a paz, esforço que tem sido visível nas medidas discutidas pelas Nações Unidas”.

Abe foi mais longe, afirmando que, se Kim Jong-un mantiver esta atitude, a Coreia do Norte “não terá um futuro muito brilhante.” Depois destas declarações, Taro Kono, ministro dos Negócios Estrangeiros Japonês, revelou que já tinha falado com Rex Tillerson sobre o sucedido e que ambos concordaram que é urgente unir esforços para aplicar ainda mais pressão sobre o regime norte-coreano. A última posição oficial a surgir da terra do sol nascente veio de Itsunori Onodera, ministro da Defesa japonês, que afirmou que a Coreia do Norte “está a pensar em Guam” — o míssil lançado esta madrugada percorreu 3.700 quilómetros e a ilha norte-americana de Guam fica a 3.400.

Coreia do Sul

Os vizinhos coreanos de Kim Jong-un também não demoraram a fazer-se ouvir. Em conferência de imprensa, o presidente Moon Jae-in afirmou que estas provocações só dão origem a maiores e mais intensas sanções diplomáticas e económicas. “O presidente Moon ordenou que o incidente fosse analisado ao pormenor para que fossem preparadas medidas de contenção, caso o regime comunista se preparasse para novas ameaças”, revelou Park Su-hyun, porta-voz do governo.

Numa atualização mais recente, Moon Jae-in ordenou o seu governo a aplicar medidas diplomáticas e militares mais “severas”, que desencorajassem a Coreia do Norte. Depois de uma reunião do Conselho de Segurança Nacional em Seul, o representante presidencial Park Su-hyun disse que Moon também exigiu uma preparação mais rigorosa que cobrisse a eventualidade de existir um ataque químico ou biológico.

Autoridades americanas acreditam que a Coreia do Norte terá testado uma bomba de hidrogénio. AFP/Getty Images

Nações Unidas

Depois do lançamento, Japão e Estados Unidos incitaram as Nações Unidas a convocar uma reunião de emergência do Conselho de Segurança, que se realizará já hoje. Representantes etíopes — país que, este mês, estará à frente deste órgão — afirmaram à imprensa que esta reunião deverá ser feita à porta fechada.

Austrália

Malcolm Turnbull, primeiro-ministro australiano, descreveu o lançamento como “imprudente e perigoso” e exigiu que medidas mais severas fossem aplicadas a Pyongyang. “Este é mais um exemplo do porquê de ser necessário continuar a apertar as sanções económicas à Coreia do Norte”, afirmou. Turnbull afirmou ainda que a guerra pretendida por Kim Jong-un seria “uma catástrofe” e “um bilhete de suicídio que traria o fim ao seu governo e que tiraria a vida a centenas e centenas de pessoas”.

China

O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês foi o primeiro responsável governamental desse país a fazer uma declaração oficial. Dizia que a China se opõe à contínua utilização de mísseis balísticos da Coreia do Norte, mas exigiu que fosse encontrada uma pacífica e diplomática resolução destas tensões. Hua Chunying, porta-voz do governo, reforçou a necessidade de encontrar uma solução pacífica e disse ainda que a sinceridade da representação chinesa no Conselho de Segurança das Nações Unidas não deve ser alvo de dúvidas. “A China fez sacrifícios enormes para implementar as resoluções do conselho”, concluiu.

Reino Unido

Boris Johnson, ministro dos Negócios Estrangeiros do governo de Theresa May, foi o primeiro representante europeu a assumir uma posição, afirmando que “o Reino Unido e a comunidade internacional têm de unir-se para responder a estas provocações”.