A agência de notação financeira Standard and Poor’s tirou Portugal do “lixo”, revendo em alta o “rating” do país. A boa notícia chegou na noite de sexta-feira e surpreendeu muitos. Da Europa têm chegado reações positivas, embora com avisos para o caminho ainda a trilhar e o primeiro-ministro fala em “viragem” para o trajeto certo, assumindo os louros. Do lado dos partidos que, juntamente com o PS, formam a geringonça o entusiasmo é bem mais contido e à direita CDS congratula trabalho dos dois governos e Passos Coelho chama a si o mérito.

O secretário-geral do PCP desvalorizou, este sábado, a avaliação positiva da agência de notação financeira S&P à dívida soberana portuguesa e desejou, ao invés, ouvir a “boa notícia” de que o país se tornara “soberano” económica e monetariamente.

A boa notícia que poderia haver era Portugal assumir a sua soberania no plano económico e monetário. Isso sim, seria uma boa notícia porque é esse caminho que determinará, independentemente desses avisos, a reposição de rendimentos e direitos do povo português”, disse Jerónimo de Sousa, numa ação de rua em Vendas Novas, Évora.

Em ação de pré-campanha no mercado de Tires, concelho de Cascais, também a coordenadora do BE, Catarina Martins, descredibilizou as agências de “rating” e garantiu que o partido não fará as negociações do Orçamento do Estado tendo em conta estas posições, mas sim para prosseguir um “trabalho equilibrado de recuperação de rendimentos”.

Sobre se o BE vai levar o argumento do alívio em relação à dívida pública resultante desta saída do “lixo” para a mesa das negociações orçamentais, Catarina Martins considerou que “todos os alívios são conjunturalmente importantes”, mas o problema “é estrutural e tem que ser resolvido”. “É bom ler o relatório das agências de ‘rating’ com atenção até porque têm sempre dado os conselhos errados ao nosso país e é por nós termos feito o contrário que a economia começou a reagir e hoje é considerada inevitavelmente mais forte“, explicou.

Da esquerda, para a direita, a presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, saudou, este sábado, a subida do “rating” por parte da agência de notação financeira Standard and Poor’s e falou no trabalho dos dois governos e do esforço dos portugueses, ressalvando que já podia ter acontecido.

É o reconhecimento de um trabalho de seis anos, ou seja, de dois governos, mas essencialmente do esforço de todos os portugueses. Hoje todos os portugueses podem sentir que o seu esforço foi reconhecido por esta agência, era bom que tivesse sido reconhecido antes, teria havido, porventura, condições para ser reconhecido antes”, defendeu Assunção Cristas.

A líder centrista, que falava aos jornalistas no mercado de Benfica, argumentou que com “uma trajetória de redução da dívida” e “estabilidade nas políticas” esta subida poderia ter sido antecipada, sublinhando igualmente que a agência defendeu a manutenção da reforma laboral.

Logo na noite de sexta-feira, depois de ser conhecida a notícia, o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, disse que “aquilo que hoje se diz sobre o nosso crescimento só é possível porque fizemos a nossa parte que foi concluir o resgate financeiro na altura certa”. Caso contrário, o país estaria hoje como “o senhor Tsipras, a negociar orçamentos restritivos, a cortar pensões e salários”, acrescentou.

“Muito provavelmente [o Governo] quererá apresentar este resultado como uma derrota do PSD, como se a política do PSD nos tivesse posto no lixo e a política socialista tirasse o país do lixo”, acusou Passos, num jantar autárquico em Mafra.