Hoje em dia já propriedade do grupo automóvel francês liderado pelo português Carlos Tavares, a alemã Opel vai agora ser alvo de um plano de reestruturação, cuja apresentação deverá ter lugar em Novembro.

O anúncio foi feito pelo próprio CEO da PSA, na mesma altura em que rumores apontam para que a companhia francesa volte a produzir grande parte dos componentes das viaturas eléctricas dentro de portas, ao invés de os comprar fora.

Em declarações reproduzidas pela agência noticiosa Reuters, Tavares admitiu já que a Opel vai ter de melhorar as suas vendas a clientes particulares. Ao mesmo tempo que não deixou de reconhecer alguma dificuldade na elaboração de uma estratégia para a divisão britânica da Opel, a Vauxhall, devido à incerteza que ainda existe quanto ao Brexit.

Opel com despedimentos em cima da mesa

Numa altura em que o construtor francês procura ainda integrar a marca alemã no seu seio, fala-se já na possibilidade de a Opel vir a despedir trabalhadores, uma vez que grande parte dos futuros veículos da marca partilharão componentes e plataformas com os modelos franceses. Situação que, a par da ‘perseguição’ que actualmente tem vindo a ser feita pelos governos aos motores de combustão, coloca em perigo postos de trabalho. Por exemplo, dos cerca de 800 engenheiros de motores que a marca do relâmpago possui no centro de desenvolvimento em Rüsselsheim.

Instado a comentar, Carlos Tavares afirmou já não poder ser considerado responsável, caso a situação se confirme. “Trata-se de uma decisão dos políticos proibir a utilização de motores de combustão interna”, sendo que, “a mim, cabe-me apenas, enquanto presidente da companhia, cumprir com o determinado”, declarou.

PSA volta a produzir componentes para eléctricos

Entretanto, o chefe de estratégia da PSA, Patrice Lucas, terá reconhecido que a companhia está a ponderar a possibilidade de passar a produzir grande parte dos componentes para veículos eléctricos, dentro de portas, ao invés de os comprar fora.

“Estamos a avaliar os prós e os contras quer de fabricar, quer de comprar fora os sistemas de propulsão eléctricos. Foi já decidido recuperar a produção de maioria dos componentes, embora não o desenvolvimento da parte química das baterias”, adiantou, em Frankfurt, este mesmo responsável.

BNP Paribas para financiar compra automóvel

Ao mesmo tempo que a reestruturação da Opel acontece, a PSA negoceia com o BNP Paribas um futuro acordo de financiamento na venda de automóveis. O qual deverá ficar pronto até final do quarto e último trimestre do ano.

A negociação surge na sequência da aquisição, ainda no início do ano, por parte das duas companhias, da financeira da Opel/Vauxhall, por 900 milhões de euros. Aquisição, de resto, anunciada em conjunto com o acordo de compra, pela PSA, da Opel, à General Motors, por um valor a rondar os 2,2 mil milhões de euros.