O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, esteve esta segunda-feira em Nova Iorque com o Presidente norte-americano Donald Trump num evento sobre a reforma das Nações Unidas.

E Trump começou por ser crítico em relação à “burocracia” da organização. “Recentemente, as Nações Unidas não alcançaram todo o seu potencial devido a burocracia e má gestão. Apesar de o orçamento [das Nações Unidas] ter aumentado 140%, de os custos com pessoal terem mais do que duplicado desde o ano 2000, não estamos a ver os resultados desse investimento”, começou por dizer. Depois, o elogio a Guterres, sentado logo ao lado de Donald Trump. “Mas sei que isso está a mudar com o secretário-geral — e está a mudar rápido.”

Uma vez mais, Trump voltou a queixar-se da contribuição (que considera “desproporcional” em relação aos restantes Estados-membros) dos Estados Unidos no orçamento das Nações Unidas. “Para honrar as pessoas das nossas nações, temos de garantir que ninguém, e nenhum Estado-membro, acarreta com uma parte desproporcional do fardo — militar ou financeiramente”, disse Donald Trump. Os Estados Unidos suportam 22% do orçamento geral das Nações Unidas.

No evento que esta segunda-feira decorre em Nova Iorque, os Estados Unidos apresentaram um plano para a reforma da ONU. Um dos pontos em discussão diz respeito às operações de manutenção de paz — operações que os Estados Unidos financiam em quase 30% os gastos totais da organização. “Também pedimos que cada missão de manutenção de paz tenha objetivos claramente definidos e formas de medir o sucesso. [As populações] merecem ver o valor das Nações Unidas e é nosso dever mostrar-lhes esse valor. Encorajamos o secretário-geral [António Guterres] para usar plenamente a sua autoridade para cortar a burocracia, reformar sistemas antiquados e tomar decisões firmes”, afirmou Donald Trump.

António Guterres prometeria a Trump “fazer mais pelos povos e menos pelos procedimentos”.

O evento, que acontece à margem da Assembleia Geral da ONU, reuniu em Nova Iorque 120 dos 193 membros da organização. A Rússia e a China foram os únicos países com assento permanente no Conselho de Segurança que optaram por não participar.