Catarina Martins assumiu com clareza as pastas ministeriais que o seu partido gostaria de liderar caso integrasse o governo. “Internamente, no Bloco, sempre dissemos que as pastas que gostaríamos de ocupar seriam a das finanças e a do trabalho”, afirmou sem reservas durante a entrevista à TSF esta quinta-feira de manhã.

Um objetivo a que o PS, aparentemente, não colocaria objeção: o próprio Pedro Nuno Santos, em entrevista recente ao Expresso, afirmou que não o choca a ideia de ter Catarina Martins numa futura equipa governativa.

Para a coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), finanças e trabalho são precisamente as áreas que considera prioritárias e são também as pastas que estarão a dar mais trabalho nas negociações com o governo para o Orçamento do Estado (OE) para 2018. Por um lado, o alívio fiscal maior nos escalões do IRS, por outro, as reformas das longas carreiras contributivas – dois temas que podem dificultar um entendimento entre os bloquistas e o governo de António Costa.

Sobre essas negociações, a líder do BE diz estar confiante que o governo aceite ir além dos 200 milhões de euros no alívio fiscal que pretendem oferecer aos contribuintes. Sem indicar um número ou proposta concreta, disse apenas que ambiciona “um alívio fiscal que as pessoas possam sentir e não dizer apenas há alívio fiscal e depois as pessoas não sentirem nada no seu salário e na sua pensão”. Adiantou também que não aceita ver no próximo OE um aumento dos encargos fiscais sobre os rendimentos do trabalho.

Achamos que há rendimentos nomeadamente de capital ou propriedade que pagam pouco impostos, tendo em conta os impostos que pagam quem vive do seu salário ou da sua pensão… Não podemos aumentar mais os salários sobre salários ou pensões porque já há ai uma grande carga fiscal”, explicou na entrevista à TSF.

Ainda assim, Catarina Martins não afasta o cenário de novos entendimentos com os socialistas, adiantou na mesma entrevista, mesmo depois de ter dito que o acordo das esquerdas feito em 2015 não se voltaria a repetir. Para já, garante o principal objetivo é evitar uma maioria absoluta do PS nas eleições legislativas de 2019. Depois disso, deixa todos os cenários em aberto.