O número de mortos na cidade do México após o sismo de magnitude 7,1 ocorrido na terça-feira subiu para 273, segundo um balanço divulgado esta quinta-feira pelo Ministério do Interior. Mais de 2.000 pessoas ficaram feridas e pelo menos 100 continuam desaparecidas. O ministério detalhou que dos 273 mortos, 137 ocorreram na Cidade do México, 73 em Morelos, 43 em Puebla, 13 no Estado do México, seis em Guerrero e um em Oaxaca.

O número de vitimas está a mudar constantemente, à medida que os trabalhos de resgate e remoção de detritos continuam a decorrer. A maquinaria é apenas usada na limpeza e não em estruturas colapsadas”, refere em comunicado.

A marinha mexicana negou ainda esta quinta-feira a existência de qualquer criança viva nos escombros do colégio Enrique Rébsamen. Recorde-se de que a história de “Frida Sofia” (a criança) correu todo o mundo com vários meios de comunicação social internacional a seguir em direto o resgate da menina, que se soube agora que não existe.

México. “Frida Sofia” não existe e não há nenhuma criança presa nos escombros da escola

Um porta-voz da Marinha, que coordenou as operações na escola, disse que há indícios de que uma pessoa poderá estar viva entre os escombros, mas que será uma funcionária e não uma aluna. A mesma fonte disse que 11 alunos foram retirados com vida da escola, onde morreram 19 crianças e seis adultos.

A estação de televisão mexicana Televisa, que transmitiu em direto as operações de socorro na escola, exigiu explicações da Marinha, referindo que todas as informações sobre a presença de uma criança tinham sido dadas pelas autoridades.

A marinha do México anunciou esta manhã que recuperou o cadáver de um funcionário da escola Enrique Rebsamen, As equipas de resgate estão a remover pó e pedras ao ritmo de um balde de cada vez e passam um ‘scanner’ sobre os escombros de hora a hora, para ver se há sinais de calor que possam indicar a presença de sobreviventes soterrados.

O secretário da Administração mexicano, Miguel Osorio Chong, disse que as operações de busca “não vão parar até se conseguir a localização e o resgate” dos desaparecidos, que “muito possivelmente estão entre os escombros” dos muitos edifícios que colapsaram devido ao sismo.

O governante mexicano admitiu que a chuva que caiu nas últimas horas tem estado a perturbar as operações de busca. Miguel Osorio Chong disse que, passada a fase de emergência, as autoridades vão fazer uma verificação “casa a casa” dos danos provocados pelo sismo. Após essa fase, serão retirados os escombros, uma operação que Osorio Chong admitiu que se prolongará por várias semanas, porque são “milhares de toneladas”, e arrancará de imediato a reconstrução dos edifícios afetados.

Neste momento, o mais importante é pôr a salvo toda a população”, frisou Osorio Chong, citado pela agência espanhola Efe.

Pouco antes de amanhecer, a pilha de escombros do edifício escolar estremeceu, levando aqueles que ali estavam a trabalhar a afastar-se à pressa, temendo que abatesse. “Estamos a apenas alguns metros de chegar às crianças, mas não conseguimos aceder-lhes até que o local esteja escorado”, disse Vladimir Navarro, um funcionário da universidade exausto por ter trabalhado toda a noite.

Com o estremecimento que houve, [a pilha de escombros] está muito instável e é perigoso tomar qualquer decisão”, acrescentou.

O Presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, decretou três dias de luto nacional, enquanto soldados, polícias, bombeiros e cidadãos comuns continuam a escavar nos escombros, às vezes com as mãos, outras vezes com gruas e retroescavadoras para retirar grandes pedaços de cimento.

“Ainda se ouvem pessoas a gemer. Há mais três pisos cujos escombros temos de remover e ainda ouvimos pessoas lá”, disse Evodio Dario Marcelino, um voluntário que está a trabalhar com dezenas de outros num edifício de apartamentos que ruiu.

Depois de anunciar que 52 pessoas foram resgatadas com vida desde o sismo, o departamento de Desenvolvimento Social da cidade do México escreveu, num tweet: “Não vamos parar”. É uma corrida contra o tempo, advertiu o Presidente mexicano noutro tweet, sublinhando que “cada minuto conta para salvar vidas”.

Além das 115 mortes confirmadas pelas autoridades locais na cidade do México, a Agência Federal de Defesa Civil indicou que mais 69 pessoas morreram no estado de Morelos, a sul da capital, e outras 43 no estado de Puebla, a sudeste, onde se situou o epicentro do sismo.

As restantes 18 mortes ocorreram no estado do México, que rodeia a cidade do México por três lados, e nos estados de Guerrero e Oaxaca.

Sismo no México fez 230 mortos. Autoridades continuam operações de resgate e de apoio às vítimas