O festival Bravalla é um dos mais importantes da Suécia. Num estilo muito semelhante aos portugueses NOS Alive e Super Bock Super Rock, é responsável por levar ao país nórdico muitos dos grandes nomes da música internacional. Mas, este ano, o evento foi parar às capas dos jornais pelos piores motivos: foi cancelado já depois de começar e 50 mil pessoas tiveram de ser reembolsadas. Os motivos? Quatro violações e 23 agressões sexuais denunciadas às autoridades, presumivelmente durante o festival.

Os crimes tornaram-se assunto de Estado e o próprio primeiro-ministro sueco, Stefan Löfven, teceu fortes críticas aos homens envolvidos, apelidando os casos de “asquerosos”, “repugnantes” e próprios de “homens deploráveis”. Estas palavras refletiam o pensamento de todo o país e o diretor do Bravalla acabou por cancelar o evento e afirmou que “isto tem de parar”.

Com o tema a abrir telejornais e noticiários, a locutora de rádio Emma Knyckare, uma das mais influentes opinion leaders da Suécia, recorreu ao Twitter para plantar a ideia de que iria organizar o primeiro festival do mundo em que os homens não podem entrar. O apoio massivo foi instantâneo e a ideia teve tanto alcance que a direção do próprio Bravalla, que já tinha anunciado que não iria organizar o evento em 2018, mostrou uma total disponibilidade para liderar toda a preparação.

Como era de esperar, as críticas também não tardaram a chegar, abrindo novamente espaço para a discussão sobre igualdade de género e os prós e contras da divisão entre homens e mulheres. Emma Knyckare foi peremptória na resposta: “é razoável excluir os homens durante três dias quando as mulheres são discriminadas durante todo o tempo”.

A premissa de Emma Knyckare é inspirada no festival inglês de Glastonbury, que desde há alguns anos tem uma área exclusiva para mulheres dentro do recinto. A organização do Glastonbury avançou com esta iniciativa pelos mesmos motivos, já que as queixas de violação e agressão sexual eram constantes ano após ano. Até ao momento, o primeiro festival sem homens não ambiciona mais do que uma edição já em 2018.