O treinador do Benfica rejeitou esta sexta-feira um cenário de crise nos encarnados devido aos últimos resultados e ao momento da equipa de futebol, e considerou que “em crise está quem não ganha há muitos anos”.

Rui Vitória, que falava na antevisão da partida com o Paços de Ferreira, referente à sétima jornada da I Liga portuguesa, foi confrontado com as palavras do treinador do FC Porto, Sérgio Conceição, que na quinta-feira afirmou que “a crise do Benfica está à vista de todos”.

“Estamos a falar de três jogos em três competições diferentes [Liga dos Campeões, campeonato e Taça da Liga]. Esses resultados não nos tiraram dos nossos objetivos. Se me falassem em três derrotas no campeonato ou na Liga dos Campeões, era diferente”, começou por dizer, em conferência de imprensa.

Contudo, Vitória foi mais longe e respondeu, ainda que indiretamente, ao treinador dos dragões:

Em crise está quem não ganha há muitos anos. Ganhámos 12 dos últimos 16 troféus em Portugal. O primeiro troféu desta época foi ganho pelo Benfica [Supertaça]. Em crise está quem fez muitos investimentos e não ganha há muito tempo. Se me disserem que é uma fase, aceito. Não é uma crise. Há dois anos, jogámos contra o super Porto e o super Sporting e ganhámos. No ano passado, era o melhor Porto dos últimos anos e acabámos por ganhar. Podemos, sim, falar numa fase menos boa do Benfica, mas vamos ultrapassá-la.”

O técnico benfiquista admitiu que existe “ansiedade” na equipa, devido ao hiato de triunfos nas últimas semanas, mas disse que a equipa está preparada para “dar uma mensagem de grande determinação”.

“Só existe ansiedade quando há, de facto, alguma coisa para conquistar. Em jogos de amigos não há ansiedade. Essa ansiedade é compreensível nesta altura, mas esta equipa é feita de jogadores com caráter, jogadores a sério. E eles entendem que este é o momento de dar uma mensagem de grande determinação do que estamos a fazer”, sublinhou.

De resto, quando questionado sobre a confiança manifestada hoje pelo presidente Luís Filipe Vieira em si, o técnico foi perentório: “No Benfica trabalhamos com união, amizade, muito caráter, entreajuda e personalidade. Há confiança entre todos. Não precisamos de referir isso como algo extraordinário, porque é algo que o presidente vai vivendo entre nós.”

Rui Vitória reforçou a ligação afetiva que tem ao Paços de Ferreira, emblema pelo qual se estreou na I Liga, em 2010/11, e antecipou um adversário motivado pelo primeiro triunfo no campeonato.

O Paços tem sempre equipas muito organizadas e vem com uma onda positiva por ter vencido o último jogo. Acreditam que podem vir ao Estádio da Luz fazer um bom jogo e dificultar-nos a vida. Mas temos uma vontade muito grande de jogar e queremos muito ganhar”, afirmou.

O técnico benfiquista recusou revelar qual será o guarda-redes titular, se Júlio César ou Bruno Varela, e assegurou que o lateral-direito Douglas, que se encontra cedido pelo FC Barcelona, está cada vez mais próximo de ser chamado às opções.

“O Douglas está numa fase final de algo que queríamos que fosse melhorado. Está para breve a sua entrada nas convocatórias”, adiantou.

Por outro lado, Rui Vitória admitiu que Fejsa é um jogador importante para equipa, mas rejeitou que haja qualquer dependência do médio sérvio.

Não nos custa nada dizer que, em determinados momentos, há jogadores que têm mais importância que outros. O Fejsa é um deles. Estamos a falar de um jogador que foi campeão nos últimos 10 anos. É um jogador importante para nós, mas não esteve disponível ao longo de algum tempo e fomos à procura de outras soluções”, comentou.

Benfica, quarto classificado com 13 pontos, e Paços de Ferreira, 11.º com seis, jogam no sábado, a partir das 20:30, no Estádio da Luz, em Lisboa, num encontro que será dirigido pelo árbitro Carlos Xistra, da Associação de Futebol de Castelo Branco.