Tudo começou com Colin Kaepernick, então “quarterback” dos San Francisco 49ers. Em protesto pela violência policial contra cidadãos afro-americanos, este começou (ainda durante o ano passado) a ajoelhar-se durante o hino nacional norte-americano.

Outros atletas, da NFL e, mais recentemente, da NBA, repetir-lhe-iam o gesto de protesto. Donald Trump reagiria. Na última sexta-feira, durante um comício no Alabama, Trump criticou (outra vez) a atitude de Kaepernick. Horas mais tarde, no Twitter, o presidente dos Estados Unidos escreveria: “Se um jogador quer ter o privilégio de ganhar milhões de dólares na NFL, não pode desrespeitar a bandeira da nossa Grande América e deve levantar-se perante o hino. Se não, ESTÁ DESPEDIDO. Que encontre outra coisa para fazer!”

Mas os protestos mais recentes contra a violência policial não são mais um protesto apenas de atletas. Muitos músicos, por exemplo, se associariam à causa.

No último sábado, durante um concerto em Nova Iorque contra a pobreza no mundo, Stevie Wonder, de 67 anos, colocou-se de joelhos e, no palco, afirmou: “Esta noite ajoelho-me pelos Estados Unidos. Não apenas com um joelho; com ambos. É ajoelhado que oro pelo planeta, o futuro e os líderes mundiais”. No dia seguinte, durante uma atuação em Charlottesville (cidade da Virigna onde decorreu em agosto, com contornos trágicos, a maior marcha de extrema-direita das últimas décadas), Pharrell Williams também se ajoelhou em palco. “Quero ajoelhar-me pela gente de Charlottesville, pela gente da Virginia, pelo que significa esta bandeira [dos Estados Unidos]”, disse o músico, pedindo depois “liberdade de expressão e de religião” ao líder do país.

Mas nem só de cantores se faz o apoio aos atletas da NFL e NBA.

Frederick Reese, hoje com 89 anos, participou ao lado de Martin Luther King nas marchas de Selma a Montgomery, em 1965. Foram três manifestações (uma delas ficaria mesmo na história como “Domingo Sangrento”; 17 manifestantes foram hospitalizados e as cenas de violência foram transmitidas nas cadeias de televisão norte-americanas, o que levaria o presidente Lyndon Johnson a aprovar a Lei dos Direitos ao Voto) organizadas pelo movimento pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos.

Hoje, quase cinco décadas mais tarde, Reese, em entrevista ao Independent, comparou a “luta” dos desportistas à dos manifestantes das marchas de Selma a Montgomery na década de 1960. “O presidente Trump não teve a experiência que a maioria das pessoas teve e não pode entender as coisas que fazem”, começou por dizer, acrescentando: “Só quem passou por isso [violência policial contra afro-americanos] pode entender o que os outros [desportistas] dizem neste momento. Nós temos a responsabilidade de procurar as coisas certas.”