As negociações a propósito do Brexit continuam, mas o Partido Trabalhista continua dividido internamente sobre como abordar o tema. Esta terça-feira, o presidente da câmara de Londres, Sadiq Khan, disse ao Evening Standard que um novo referendo a uma saída da UE é “possível” e que tudo fará para que esse seja uma hipótese a incluir no próximo manifesto do partido.

“Como presidente da câmara de Londres, eu teria direito a dar a minha opinião. Até agora ainda não fui persuadido de que este governo tem um plano para o nosso país que resulta“, declarou Khan. Nada de novo num homem que já tinha admitido essa mesma hipótese em julho: na altura, Khan reforçou que é importante o partido delinear a sua estratégia sobre este tema e escrevê-la no seu manifesto. “Seria preciso escrever, preto no branco, o que faríamos caso ganhássemos as eleições. O que pode derrotar o resultado do referendo é nós termos um manifesto que diz que não saímos da UE ou que vamos ter um novo referendo.”

A proposta defendida pelo autarca, contudo, não foi bem recebida pelo líder do partido, Jeremy Corbyn “Não estamos a planear nenhum referendo. O Sadiq está obviamente a pensar em todos os cenários e possibilidades”, disse . “Ele representa uma cidade que votou esmagadoramente pelo ‘Ficar’. E, como sabem, o resultado do referendo a nível nacional foi uma maioria para sair.”

No entanto, essa não é uma posição unânime dentro do partido. Kezia Dugdale, antiga líder do Labour na Escócia, defende a realização de um novo referendo. “O Brexit está a ficar descontrolado e não respeita os interesses dos trabalhadores. É por isso que o povo tem de voltar a tomar o controlo e fazer uma votação sobre o acordo final”, declarou Dugdale, que se demitiu abruptamente da liderança regional em agosto.

Também Andrew Gwynne, ministro-sombra das Comunidades, admitiu a hipótese de uma nova votação em Brighton, na conferência do partido em Brighton, esta segunda-feira. “Quem sabe onde vamos estar no final deste processo, em 2019?”, perguntou.

Negociações “sem progressos”

Ninguém sabe ao certo, até porque as negociações de saída da UE continuam em passo lento. Esta segunda-feira, o presiente do Conselho Europeu, Donald Tusk, e a primeira-ministra britânica Theresa May, reuniram-se, mas sem resultados. “Os dois lados estão a trabalhar e vamos trabalhar a sério nisto. Mas se os Estados-membros me perguntarem hoje, direi que não houve ainda progressos suficientes“, resumiu Tusk à saída da reunião, nesta terça-feira, de acordo com a BBC.

Definindo-se como estando “otimista com cautela” relativamente ao processo de negociações, Tusk admitiu ter visto com bons olhos o discurso de May em Florença, que ficou conhecido como “o discurso realista” pela proposta de um período de dois anos para aplicar o processo de saída da União Europeia (UE). “Isto mostra que aquela filosofia de querer ter sol na eira e chuva no nabal está finalmente a chegar ao fim. Pelo menos espero que sim”, declarou o presidente do Conselho Europeu.

As negociações desta terça-feira terminaram assim sem novidades, apesar de o governo britânico ter apresentado algumas propostas nos últimos dias. Uma delas, segunda explica o jornal The Guardian, foi apresentada a ativistas do grupo “The3million Campaign” (grupo de defesa dos cidadãos europeus a viver no Reino Unido). “Os cidadãos da UE não terão de ter seguro de saúde privado, não terão de ter um mínimo de rendimentos, não terão de dar as suas impressões digitais e não terão um novo cartão de identificação [para poderem ficar no Reino Unido]”, pode ler-se no documento apresentado ao grupo, que, no entanto, se mantém cético de que tal venha a acontecer.