Concretizado o reforço accionista por parte da Tata Motors, o qual deixou o gigante indiano ainda mais dono da Jaguar Land Rover (JLR), o grupo está agora no mercado com um outro poderio financeiro. A ponto de, revelam fontes não identificadas, mas conhecedoras do processo, estar comprador de outras companhias. Automóveis, mas não só.

A notícia é avançada pela agência noticiosa Bloomberg, garantindo que a possibilidade de a JLR vir a adquirir outras marcas automóveis é algo que já se discute no seio do grupo automóvel britânico, sendo vista como forma de diversificar e tornar mais abrangente a actual oferta do construtor. Através, por exemplo, da aquisição de outras marcas de luxo que estejam disponíveis e que encaixem no posicionamento do grupo.

As ambições do grupo britânico não passarão apenas por fabricantes automóveis, abrangendo ainda companhias tecnológicas, que possam contribuir para a meta já definida pela JLR de conceber e construir a sua própria tecnologia eléctrica e autónoma, fabricando, a partir daí, os seus próprios veículos.

Tata fornece suporte financeiro

C. Ramakrishnan

A ajudar a estes objectivos surge o facto de a Tata Motors ter conseguido, em apenas um ano e até ao final de Junho último, acumular cerca de 5,1 mil milhões de euros provenientes das suas operações. Montante que o gigante indiano pensa agora investir, segundo o seu director financeiro, C. Ramakrishnan, em novos produtos, tecnologia e capacidade produtiva. Nomeadamente, na JLR, com o propósito assumido de que a companhia britânica se mantenha competitiva; se necessário for, comprando outras companhias.

Caso se confirme esta possibilidade, será a primeira aquisição da JLR desde que, em 2008, a Tata Motors comprou as duas marcas britânicas, por qualquer coisa como 2.000 milhões de euros.

Alfa Romeo, Maserati ou Ducati podem ser hipóteses

Entre os potenciais alvos do grupo automóvel britânico podem estar marcas como a Maserati ou a Alfa Romeo, dois construtores que o grupo ítalo-americano Fiat Chrysler Automobiles admitiu já poder vir a vender, para se dedicar apenas às marcas e modelos de maior volume. Ou ainda fabricantes, mas de motociclos, como a italiana Ducati, que a Volkswagen poderá estar a ponderar alienar.

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Entretanto, já em Junho, a JLR anunciou estar a trabalhar com a tecnológica Lyft no desenvolvimento de tecnologia de condução autónoma, sendo que, do programa de parceria, fazia parte a disponibilização de uma frota de veículos autónomos para alugar, na cidade de São Francisco, EUA.

O construtor divulgou ter investido, na altura, 22,3 milhões de euros na tecnológica, participando assim numa recolha de fundos que terminou em Abril último e na qual terá sido atribuído à Lyft um valor perto dos 6,3 mil milhões de euros.