Joaquim Lara Pinto, principal suspeito do assassinato do enteado Rodrigo Lapa — jovem português de 15 anos assassinado em 2016 no Algarve — está neste momento a ser procurado pela Polícia Federal brasileira para ser interrogado. Nesta operação estão envolvidos dois elementos da Polícia Judiciária (PJ) portuguesa, confirmou ao Observador fonte da PJ.

A operação está a ter lugar no bairro do Tijucal, em Cuiabá, local onde o suspeito vive com os pais desde que viajou para o Brasil, no dia seguinte ao desaparecimento de Rodrigo Lapa. Fonte próxima do processo confirmou ao Observador que Lara Pinto já tinha as viagens compradas um mês antes do desaparecimento do menor.

O advogado de defesa do suspeito, Raphael Arantes, já tinha negado todas as acusações imputadas ao seu cliente, dizendo que o brasileiro é inocente do crime de homicídio de Rodrigo Lapa.

Pedro Proença, advogado do pai de Rodrigo, confirma ao Observador que tem conhecimento desta operação e que está com “esperança que o Joaquim seja apanhado e presente para interrogatório, e claro, que saia como arguido do processo”. O advogado conta ainda que já esteve naquele bairro brasileiro, descreve-o como um “bairro muito complicado nos arredores de Cuiabá” e que naquele local “há, em média, seis homicídio por dia”. “Até a própria polícia tem medo de lá entrar”, relatou.

Em relação ao tempo do cumprimento da carta rogatória, o advogado do pai de Rodrigo Lapa adianta que a carta foi enviada pelo Ministério Público (MP) em novembro de 2016 e que houve uma “promessa” do MP do Brasil de que a carta seria cumprida até ao início de 2017. Tal não aconteceu e o atraso foi justificado com as férias judiciais brasileiras, tendo a execução da mesma sido adiada para janeiro deste ano. O mesmo advogado diz que este prazo também não foi cumprido devido à “falta de meios humanos na polícia brasileira” e é por isso que só agora a carta está ser cumprida.

Esta carta rogatória prevê que as autoridades brasileiras detenham Joaquim Lara Pinto e que o levem para ser ouvido em tribunal e que, segundo o advogado do pai do menor, seja constituído arguido e julgado no Brasil, uma vez que não existe extradição de suspeitos do Brasil para Portugal.

Em relação ao facto de o suspeito ser julgado no Brasil e não em Portugal, onde ocorreu o crime, o advogado Pedro Proença, adianta que “preferia que Joaquim Lara Pinto fosse julgado perante a justiça portuguesa porque foi no nosso país que ocorreu o crime mas, por outro lado, as penas de prisão por homicídio no Brasil são muito mais pesadas do que as penas portuguesas e por isso haverá a possibilidade de haver uma pena maior”.

Segundo os relatos de uma fonte que se encontra no bairro do Tijucal, local da operação policial, “ninguém entra nem sai do bairro, há polícia por todo o lado”.

O brasileiro Joaquim Lara Pinto é o principal suspeito pelo assassinato de Rodrigo Lapa, desaparecido a 22 de fevereiro de 2016, em Lagoa, no Algarve. Nesse mesmo dia, o brasileiro viajou para o Brasil. Rodrigo, o seu enteado, acabaria por ser encontrado morto uma semana depois a 100 metros da casa onde ambos moravam com a mãe do menor, Célia Barreto.

Célia Barreto, depois ser ouvida pela Polícia judiciária de Portimão, terá confessado às autoridades que presenciou a agressão sofrida por Rodrigo e que ouviu os gritos do filho no dia do desaparecimento.