Estado norte-americano com vendas anuais de automóveis novos superiores a países como a França, a Itália ou a Espanha, e que ultrapassam mesmo os 2 milhões de unidades transaccionadas, a Califórnia admite poder vir a proibir a venda de automóveis com motores de combustão. Algo que, a confirmar-se, não deverá, no entanto e segundo noticia a agência Bloomberg, acontecer dentro da próxima década.

Depois de ter fixado como objectivo reduzir, em 80%, as emissões de dióxido de carbono, até 2050, o estado norte-americano, liderado pelo governador Jerry Brown, ele próprio um defensor da implantação de medidas de combate às alterações climáticas, admite assim uma solução mais radical, como forma de combater os níveis de poluição. Contribuindo, ao mesmo, para aumentar a pressão sobre os fabricantes automóveis, no sentido de aumentarem a sua oferta, em termos de veículos eléctricos.

A revelação da intenção do governador Brown de acabar com a venda de carros com motores de combustão foi feita por Mary Nichols, chairman do organismo responsável pela qualidade do ar, California Air Resources Board.

Abordando a questão do anúncio feito pela China da acabar com a venda de automóveis a motores de combustão, Nichols disse ter já “recebido mensagens do governador, perguntando ‘porque é que ainda não fizemos algo semelhante?’. O que mostra que o governador está interessado em, pelo menos, saber as razões por que a China o consegue fazer e nós não”.

Para menos emissões, é preciso mais dinheiro

Em resposta às intenções do responsável máximo pelo estado da Califórnia, a Associação de Construtores Automóveis (Association of Global Automakers) sublinha que os consumidores têm de ter capacidade financeira para adquirir os veículos menos poluentes com os quais o estado norte-americano pretende atingir as suas metas.

Temos vindo a trabalhar com a Califórnia numa perspectiva inteligente, através de uma aproximação, com base no mercado, àqueles que são os objectivos em termos de redução de emissões, para lá de 2025. Pelo que esperamos que esta nova posição não represente um abandono desta abordagem”, aponta o director executivo do organismo, John Bozzella, em comunicado.

Motores a combustão têm de desaparecer

É a própria chairman do California Air Resources Board quem reconhece, desde já, que para se atingirem “as ambiciosas metas em termos de redução de emissões de gases que contribuem para o efeito de estufa”, não há outra alternativa se não erradicar os diesel e os gasolina.

Teremos de, basicamente, substituir todo o tipo de combustão, por alguma forma de energia renovável, até 2040 ou 2050″, opina.

Recorde-se que a Califórnia possui autoridade para determinar as suas próprias leis em termos de poluição, graças ao Clean Air Act, de 1970. Facto que não evita que o governador tenha de ter o apoio implícito da Agência de Protecção Ambiental dos Estados Unidos (Environmental Protection Agency, EPA), para a implementação de qualquer medida mais restritiva.

Uma vez que a EPA é um organismo sob a jurisdição do Presidente dos EUA, Donald Trump, um opositor das teorias das alterações climáticas, tal faz prever que as medidas desejadas podem vir a não ter a aprovação das instituições federais. Algo que, ainda assim, as autoridades da Califórnia poderão contornar, segundo Nichols, através da legislação estadual relativa ao registo de veículos, ou até mesmo pelo condicionamento do acesso de alguns veículos às auto-estradas estaduais.