O presidente da Junta da Galiza considerou esta quarta-feira que uma declaração unilateral de independência da Catalunha seria um “anacronismo histórico e um voltar ao século XIX” e mostrou estar convicto que o referendo sobre o tema “não vai acontecer”.

Em declarações aos jornalistas, à margem de uma visita a Braga, Alberto Feijóo, salientou que o referendo sobre a independência da Catalunha marcado para 1 de outubro é ilegal “não porque os políticos o dizem” mas porque “atenta contra a Constituição espanhola”.

O representante máximo do Governo de Espanha na Galiza considerou ainda que a Catalunha “tem azar com os políticos” que a dirigem e que o que se está a passar naquela comunidade autónoma é um “atentado à democracia” espanhola e “uma vergonha”.

Se a Catalunha declarar a independência será um anacronismo histórico, um voltar ao século XIX, um atentado contra os direitos civis dos cidadãos, um atentado contra as liberdades dos cidadãos e uma vergonha”, afirmou Alberto Feijóo.

Para o responsável, que admitiu que este é o “momento de maior convulsão na democracia espanhola” desde o Golpe de Estado de 23 de fevereiro 1981, “do ponto de vista político é uma vergonha que haja políticos que estão a ser pagos com dinheiro público e que estão a fazer coisas que não cabem na cabeça de uma pessoa racional, minimamente decente do ponto de vista político”.

Para Feijóo, a posição do governo da Catalunha “é um atentado a todas as autonomias espanholas, à União Europeia” lembrando que o único apoio internacional veio do Governo da Venezuela, de Nicolas Maduro. “Só a Venezuela reconhece esta posição e com este tipo de aliados internacionais os catalães não merecem os políticos que têm”, apontou.

Sobre o referendo aprovado pelo parlamento catalão que pretende consultar a população da Catalunha sobre a vontade de se desvincular da Espanha, o também dirigente do Partido Popular espanhol afirmou que a consulta não vai acontecer.

Todos os democratas sabem que têm que acatar as leis graças às quais somos deputados ou presidentes de câmara ou das autonomias ou do Governos. A constituição espanhola está referendada por uma consulta ao povo e esta lei da Catalunha, que já está anulada pelo tribunal constitucional, simplesmente não existe e aquilo que não existe o que temos que fazer é não considerá-lo, nem sequer como uma proposta”, disse.

Alberto Feijóo salientou que o referendo “é ilegal, não se vai fazer porque a lei que o aprova foi declarada ilegal e porque Espanha é um país democrático e é impossível tomar decisões contra a democracia de um país”.

O líder galego deixou ainda críticas aos políticos catalães: “O que se passa na Catalunha é que a Catalunha tem azar com os políticos, um conjunto de um partido antieuropeu, anti-euro, anti-espanhol, é o que está a manipular isto e o que quer é acabar com as instituições, com o Governo espanhol e com a democracia espanhola”, descreveu.

Apesar de reconhecer a seriedade da crise política que afeta Espanha, Feijóo mostrou estar convicto de que a crise será ultrapassada.

Do mesmo jeito que não deixámos que os militares em fevereiro de 1981 tivessem sucesso num golpe contra a soberania espanhola, não vamos permitir a um conjunto de políticos, seja de que comunidade autónoma, vão contra 47 milhões de cidadãs espanhóis e 10 milhões de catalães que têm direito a que as leis se façam cumprir”, afirmou.