O principal suspeito do assassinato de Rodrigo Lapa — jovem de 15 anos que desapareceu a 22 de fevereiro de 2016 –, entregou-se esta terça-feira, pela primeira vez, às autoridades brasileiras. A apresentação de Joaquim Lara Pinto aconteceu na sequência de uma operação de “caça ao homem” que decorreu no bairro do Tijucal, em Cuiabá, local onde o suspeito vive com os pais desde que viajou para o Brasil, no dia seguinte ao desaparecimento de Rodrigo Lapa.

Segundo fonte ligada ao processo, as autoridades brasileiras — e dois elementos da Polícia Judiciária portuguesa — não intercetaram o suspeito na sua residência, tendo sido recolhidos documentos do próprio. O homem apresentou-se horas mais tarde na sede da Polícia Federal de Cuiabá. Esta caça ao homem aconteceu na sequência do cumprimento da carta rogatória enviada pelas autoridades portuguesas ao Ministério Público brasileiro há cerca de um ano.

Em declarações ao Observador, o advogado de defesa de Lara Pinto, Raphael Arantes, confirma a operação no bairro onde o suspeito reside com os pais, confirmando também que o suspeito não se encontrava no local: “Ele tinha saído”.

O mesmo advogado reforça que “não existe qualquer mandato de prisão do meu cliente” e que “só hoje [terça-feira] foi notificado para dar declarações”. Porém, o principal suspeito da morte do enteado, Rodrigo Lapa, na primeira vez que se apresenta às autoridades desde a morte do menor, nada disse. O advogado de defesa alega que Lara Pinto não prestou quaisquer declarações, porque “encontra-se interdito de falar, ainda que temporariamente, com base numa declaração médica que indica que ele tem uma doença psiquiátrica. Por causa desta doença ele [Joaquim Lara Pinto] não tem discernimento nem condições para prestar declarações, compareceu, mas não foi possível dizer nada”.

Questionado sobre a doença de que Joaquim Lara Pinto sofre, o mesmo advogado diz não saber “exatamente a patologia” do seu cliente, reforçando também “não ter quaisquer dúvidas que o Joaquim Lara Pinto seja inocente, sem dúvida nenhuma”.

O suspeito viajou para o Brasil no dia em que Rodrigo Lapa desapareceu, a 22 de fevereiro de 2016. Coincidência?
O advogado de defesa diz que não. Justifica esta saída de Portugal no dia do desaparecimento do enteado como uma “coincidência” porque “as passagens estavam compradas, com seis meses de antecedência”.

O suspeito acabou por sair em liberdade e deverá ser constituído arguido e julgado no Brasil.

Em relação ao facto de o suspeito ser julgado no Brasil e não em Portugal, onde ocorreu o crime, o advogado do pai de Rodrigo, Pedro Proença, adianta que “preferia que Joaquim Lara Pinto fosse julgado perante a justiça portuguesa porque foi no nosso país que ocorreu o crime mas, por outro lado, as penas de prisão por homicídio no Brasil são muito mais pesadas do que as penas portuguesas e por isso haverá a possibilidade de haver uma pena maior”.

O brasileiro Joaquim Lara Pinto é o principal suspeito pelo assassinato de Rodrigo Lapa, desaparecido a 22 de fevereiro de 2016, em Lagoa, no Algarve. Nesse mesmo dia, o brasileiro viajou para o Brasil. Rodrigo, o seu enteado, acabaria por ser encontrado morto uma semana depois a 100 metros da casa onde ambos moravam com a mãe do menor, Célia Barreto.

Polícia brasileira monta operação para deter suspeito de assassinato de menor de 15 anos no Algarve

Célia Barreto, depois ser ouvida pela Polícia judiciária de Portimão, terá confessado às autoridades que presenciou a agressão sofrida por Rodrigo e que ouviu os gritos do filho no dia do desaparecimento.