O líder comunista insistiu esta quinta-feira num novo aumento de 10 euros em todas as pensões para 2018 para recompensar as rugas de “vidas de trabalho e luta” nas caras de reformados da simbólica freguesia do Couço.

Em pleno Ribatejo (Coruche), numa vila tornada Membro Honorário da Ordem da Liberdade pela lendária resistência ao regime autoritário de Salazar, Jerónimo de Sousa sublinhou os 10 euros conseguidos em agosto de 2017 e exigiu maior despenalização das reformas antecipadas de quem tem longas carreiras contributivas, após saborear a típica frijoca (carne de porco) à portuguesa, em vez do tradicional cozido de grão.

Olho para vós e vejo nos vossos rostos as marcas de vidas de trabalho e de luta. Vidas quantas vezes difíceis na busca de um futuro melhor para cada um de vós e para os vossos. Vidas assentes em salários magros, quantas vezes de miséria, em trabalhos forçados… vidas dedicadas à produção e desenvolvimento do país”, louvou, depois do almoço-comício da CDU, que junta comunistas, ecologistas e independentes.

O secretário-geral do PCP referiu que a situação foi “agravada pelo Governo anterior”, com os reformados a serem “triplamente penalizados” e a sofrer uma “perda de oito por cento do poder de compra”, devido aos cortes, à carga fiscal aumentada direta e indiretamente e à degradação dos serviços públicos.

Consequências de uma política que despreza o contributo que homens e mulheres deram ao país… uma política desumana que vê os idosos como um fardo e não como potencial de experiência e conhecimento que é indispensável aproveitar”, lamentou.

Segundo Jerónimo de Sousa, “dar mais força à CDU é dar mais força àqueles que não desistem de haver em 2018 um novo aumento extraordinário de pensões em 10 euros a todos os pensionistas, até porque ainda estão a perder cerca de sete por cento do seu poder de compra”.

Propusemo-lo em 2016 [aumento de 10 euros] e não foi aceite, mas não desistimos. Fosse aplicado o caminho que PS e BE defendiam e descongelariam as pensões e reformas, mas a verdade é que os reformados receberiam um aumento três vezes menor do que o que receberam”, sustentou.

O líder comunista reiterou que “não são só as freguesias e os concelhos que ficam a ganhar com a intervenção da CDU, é o país que precisa da honestidade, trabalho e competência do PCP e da CDU”.

“Terra heroica de luta pela liberdade e o pão”, de “gente valorosa e digna”, que até pode ter “perdido alguns bens, mas nunca perdeu “a dignidade nem a coragem” nos “momentos de maior brutalidade, repressão e violência policial”, homenageou ainda Jerónimo de Sousa, dirigindo-se à plateia da Casa do Povo do Couço, dedicando especial atenção às mulheres sobreviventes da difícil década de 1960.