O recorde das vendas no mercado imobiliário até junho, que cresceram 18% em número e 25% em valor, impulsionou a construção e obras públicas, com o valor dos concursos promovidos e contratos celebrados a aumentar 91% e 83% até agosto.

“O primeiro semestre de 2017 bateu o recorde dos últimos nove anos em termos de transações semestrais de fogos habitacionais, tanto em número como em valor”, refere a Federação Portuguesa da Indústria da Construção e Obras Públicas (FEPICOP) na sua análise de conjuntura de setembro, divulgada esta sexta-feira.

Até junho, refere, foram transacionados em Portugal 72 mil fogos, num montante total de 8,9 mil milhões de euros, refletindo crescimentos de 18% em número e de 25% em valor face ao período homólogo de 2016.

Segundo a federação, em linha com o que vem acontecendo desde 2013, foi a venda de fogos já existentes “a principal responsável pelo forte dinamismo” do primeiro semestre de 2017, com crescimentos de 21% em número e de 31% em valor que levaram a um “aumento acentuado” no volume de trabalhos de reabilitação/renovação.

Já as transações de fogos novos apenas cresceram 4% em número e 6% em valor até junho.

Em termos regionais, foi a Área Metropolitana de Lisboa que concentrou, “de forma destacada”, a maior fatia das transações efetuadas ao longo do primeiro semestre – 35% do total em número e 48% em valor – com crescimentos de 17% e de 29%, respetivamente, face a 2016.

A Área Metropolitana de Lisboa foi igualmente a zona onde o valor médio de transação por fogo foi mais elevado – 168,6 mil euros – 10,2% acima do valor observado nessa região em 2016 e 36,6% acima da média nacional observada em 2017 (123,5 mil euros/fogo).

De acordo com a FEPICOP, “a estes significativos crescimentos do mercado imobiliário juntam-se as variações igualmente favoráveis que se vêm registando nos restantes segmentos do setor da construção, nomeadamente no mercado das obras públicas, com evoluções de +91% e de +83%, até agosto, nos montantes dos concursos promovidos e dos contratos celebrados, respetivamente”.

Tendo por base estes dados e ainda os “crescimentos mais intensos nos últimos 20 anos” das variáveis FBCF (Formação Bruta de Capital Fixo) Construção e do VAB (Valor Acrescentado Bruto) Construção — com crescimentos homólogos até junho de 9,6% e 7,5%, respetivamente – a federação faz uma “leitura positiva” da evolução da construção este ano.