O investimento de 2,2 mil milhões de euros realizado pela PSA, dirigida pelo português Carlos Tavares e que tem entre os accionistas, o Estado francês e os chineses da Dongfeng (ambos com cerca de 14% cada), foi realizado porque Tavares acredita que consegue não só tornar a Opel rentável, como crê que as sinergias nas partilhas de chassis e mecânicas pode trazer grandes dividendos, especialmente na área das compras a fornecedores.

Porém, após a primeira análise aos custos e desempenhos das soluções de ambas as marcas, a PSA concluiu que não só que as fábricas francesas são mais produtivas do que as alemãs, como determinou ainda que os motores da Opel não apresentam a mesma eficiência do que os gauleses. Isto pode levar a que, a curto prazo, não só as plataformas dos futuros Opel passem a ser francesas, como os seus motores também. E é aqui que reside a novidade.

A conclusão, que terá feito estremecer os responsáveis pela marca alemã, foi partilhada pelo responsável pelo desenvolvimento na PSA, o francês Gilles Le Borgne, durante uma entrevista ao Automobilwoche, publicação especializada na indústria automóvel alemã, pertença do grupo Automotive News. A adopção de mecânicas francesas pode colocar em causa o novo centro de testes e desenvolvimento da Opel, em Rüsselsheim, alvo de um investimento de 210 milhões de euros e onde trabalham 800 empregados.

Segundo Le Borgne, as motorizações alemãs só vão sobreviver “se foram introduzidas grandes melhorias em diversas áreas, com a Opel a aproveitar a experiência da PSA no que respeita ao desenvolvimento de motores”.

Mas existe um outro factor que pode levar ao desaparecimento dos motores alemães. E é puramente financeiro. Segundo parece, nos termos do contrato de compra assinado com a GM, a PSA tem de pagar royalties por cada motor produzido, desde que este tenha sido desenvolvido durante o período em que eram os americanos a pagar as contas. Isto torna o recurso a estas mecânicas muito pouco interessante, tanto mais que os franceses possuem unidades similares e sem esta taxa adicional.

Resta também conhecer o destino que vai ser dado aos cerca de 3.000 engenheiros da Opel que estão, de momento, a desenvolver soluções específicas para a GM, mas não parece que existam muitas alternativas, além do afastamento, findos os actuais contratos que ligam os alemães aos americanos.