O socialismo português arrasou nas eleições autárquicas“, numa época em que muitos partidos de centro-esquerda definham na Europa. É desta forma que as eleições autárquicas são vistas na vizinha Espanha, especificamente pelo El País, que dedica um longo artigo aos resultados do voto em Portugal. Porém, apesar de o Partido Socialista ter tido a maior votação total de sempre, o jornal antecipa que as 10 câmaras perdidas pelo Partido Comunista (9 para os socialistas) venham a complicar a vida de António Costa enquanto primeiro-ministro apoiado no parlamento pelos partidos da esquerda.

Depois de uma campanha eleitoral em que houve um pacto de não-agressão entre os partidos da esquerda, os comunistas acabaram por conquistar 24 câmaras municipais, abaixo das 34 que tinha anteriormente. Almada, Barreiro e Beja são alguns dos principais concelhos historicamente dominados pelo Partido Comunista que, com estas eleições, passam para as mãos dos que o El País chama de “sócios” (em São Bento).

A perda de votos e dez câmaras municipais não é uma boa notícia para [António] Costa, já que a descida do PC pode ser interpretada como um castigo pelo seu apoio ao PS e, portanto, poderá haver uma segunda metade da legislatura com maior oposição por parte dos seus próprios sócios”.

Na declaração pós-eleitoral, o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, garantiu que “este resultado não reduz a influência real do PCP e do PEV nesta nova fase de vida política” mas “é necessário não iludir que este resultado constitui um fator negativo” para a força do caminho de conquista de direitos e de reposição de rendimentos.

E António Costa, por seu lado, procurou desvalorizar publicamente esta questão garantindo que a “maior vitória de sempre” do PS “não é a derrota de nenhum dos seus parceiros parlamentares. Há quatro anos ficámos 3,5 pontos percentuais acima do conjunto da direita, mas agora estamos pelo menos dez pontos percentuais à frente da direita”, afirmou o primeiro-ministro que governa com o apoio parlamentar do PCP, do Bloco de Esquerda e do PEV e que apontou exclusivamente o PSD de Passos Coelho como o derrotado da noite eleitoral.

Almada, Barreiro e Beja são os pontos altos da hecatombe eleitoral da CDU

O El País diz que as eleições autárquicas, apesar de serem isso mesmo — autárquicas –, “confirmam que o PS não só lidera a esquerda como também está a ir buscar votos à sua esquerda e à sua direita”. Já o PSD, por seu lado, deverá ter nestes resultados um fator de aceleração da substituição de Pedro Passos Coelho como líder.