As duas mulheres acusadas de matar o meio irmão do líder norte-coreano declararam-se inocentes na abertura do julgamento que está a acontecer na Malásia, quase oito meses depois da morte de Kim Jong-nam. A indonésia Siti Aisyah, de 25 anos, e a vietnamita Doan Thi Huong, de 28 anos, são suspeitas de utilizar o agente neurotóxico VX, que matou Jong-nam em 20 minutos, no aeroporto de Kuala Lumpur. As mulheres alegam que foram levadas à acreditar que estavam a fazer uma partida inocente para um programa de apanhados com uma câmera escondida.

TV divulga vídeo do alegado ataque mortal ao irmão de Kim Jong-un

Se forem consideradas culpadas, as mulheres arriscam-se à pena de morte por enforcamento. Durante 23 dias, o tribunal vai chamar 40 testemunhas e especialistas para apoiar a acusação. O veredito final está previsto para 23 de novembro.

As suspeitas são as únicas detidas pelo roubo e envenenamento de Kim Jong-nam. Na altura, as mulheres disseram que foram abordadas por um grupo de quatro homens que pagou 80 dólares a cada uma. A polícia identificou estes homens como cidadãos norte-coreanos que embarcaram depois num avião rumo a Pyongyang e pediu informações a outras três pessoas que foram ao aeroporto despedir-se deles, incluindo o segundo secretário de Estado da Coreia do Norte em Kuala Lumpur.

Os serviços secretos sul-coreanos argumentam que o homicídio foi o culminar de um plano de cinco anos do líder norte-coreano para matar o meio-irmão que pode nunca ter conhecido. Kim Jong-nam, que tinha 45 ou 46 anos quando morreu, vivia exilado entre Macau e Singapura e já tinha afirmado que não tinha qualquer interesse no seu país de origem ou no poder norte-coreano. Contudo, especialistas garantem que Kim Jong-un ordenou o assassinato do irmão com medo de que este, sendo o mais velho, decidisse tomar a liderança na Coreia do Norte.

O agente neurotóxico VX é uma versão altamente tóxica do gás sarín – considerado pela ONU uma arma de destruição maciça.

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