A venda de divisas pelo Banco Nacional de Angola (BNA) à banca comercial do país desceu mais de 30% na última semana, face à anterior, para 51,7 milhões de euros, continuando em mínimos do ano.

A informação consta do relatório semanal do BNA sobre a evolução dos mercados monetário e cambial, entre 25 e 29 de setembro, e surge após os 75,7 milhões de euros e 52,7 milhões de euros disponibilizados à banca nas duas semanas anteriores.

Segundo o documento, consultado esta sexta-feira pela Lusa, as divisas vendidas – mantêm-se exclusivamente em euros há um ano e meio -, equivalentes a 57,8 milhões de dólares, cobriram essencialmente as operações de ministérios e organismos do Estado angolano (38,2 milhões de euros), bem como cartas de crédito do BNA para cobertura de operações dos setores dos Bens Alimentares (13,4 milhões de euros).

A taxa de câmbio média de referência de venda do mercado cambial primário, apurada pelo banco central no final da última semana, manteve-se inalterada nos 166,747 kwanzas por cada dólar e nos 186,301 kwanzas por cada euro, sem mexidas significativas há um ano e meio.

No mercado de rua, a única alternativa, embora ilegal, face à falta de divisas aos balcões dos bancos, cada dólar norte-americano custa à volta de 390 kwanzas.

Angola enfrenta desde finais de 2014 uma crise financeira e económica, com a forte quebra das receitas com a exportação de petróleo devido à redução da cotação internacional do barril de crude, tendo em curso várias medidas de austeridade.

Esta conjuntura levou a uma forte quebra na entrada de divisas no país e a limitações no acesso a moeda estrangeira aos balcões dos bancos, dificultando nomeadamente as importações.

Além disso, devido à suspensão de acordos com bancos estrangeiros para correspondentes bancários para compra de dólares desde 2016, a banca angolana apenas consegue comprar divisas ao BNA (euros), como explicou anteriormente o governador do banco central.

“Não poderíamos ter o azar de os bancos correspondentes deixarem de fazer operações em euros. E havia este risco. Já perdemos as operações em dólares. Se perdêssemos as operações em euros era uma catástrofe para Angola, porque Angola deixaria de importar medicamentos, alimentação e todos os outros produtos necessários”, disse Valter Filipe.