Há muito liderada pelo diesel, a venda de automóveis novos no Velho Continente está a viver um momento histórico, com os veículos a gasolina a ultrapassarem, pela primeira vez desde 2009, o número de carros novos a gasóleo transaccionados nos mercados europeus.

Quem o diz é a Associação Europeia de Fabricantes Automóveis (ACEA), cujos números mais recentes falam num crescimento de 10% na venda de automóveis a gasolina, durante a primeira metade de 2017, face ao mesmo período de 2016, contra uma queda de 4% nas vendas dos diesel.

Híbridos, eléctricos e GPL também sobem

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Destaque ainda para a subida na venda de viaturas impulsionadas a energias alternativas, como é o caso dos híbridos, eléctricos, a gás natural e gás liquefeito (GPL), que passam a representar 5,2% da totalidade de automóveis vendidos no Velho Continente. Isto, concluída que está apenas a primeira metade 2017, período em que as vendas deste tipo de propostas subiram mais de 35%.

Reflexo, certamente, da ‘perseguição’ que os governos europeus têm vindo a mover ao gasóleo, a ACEA fala num total de novos registos de carros diesel a rondar os 46,3%, contra os 50,2% assinalados em igual período de 2016. Diferença que representa um recuo de 152.323 viaturas, no número de automóveis a gasóleo transaccionados no espaço europeu.

Ao mesmo que os motores a gasóleo perdem terreno, os gasolina crescem, subindo dos anteriores 45,8% para uns mais expressivos 48,5%, durante o mesmo período. O que traduz um aumento de 328.615 no número de veículos vendidos com este combustível.

Atenção às emissões, avisa ACEA

A par da divulgação destes números, a ACEA também alertou para o facto de a transferência da procura para os motores a gasolina poder dificultar o alcance das metas fixadas já para 2020, em termos de redução das emissões de CO2.

Os decisores políticos têm de ter consciência que, ao promoverem esta transformação, tal levará a um aumento das emissões de CO2“, sublinha o secretário-geral da organização, Erik Jonnaert.

O mesmo responsável apela ainda aos governos para fazerem mais pela implementação dos veículos com sistemas de propulsão alternativas, ajudando assim a uma tendência que, só nesta primeira metade de 2017, levou já um crescimento de 58% na venda de híbridos, e de 37% na comercialização de eléctricos. Números que, ainda assim, não permitem que os primeiros representem mais que 2,6% da totalidade dos carros vendidos, e mais do que 1,3%, no caso dos eléctricos.

“É preciso fazer mais para encorajar os consumidores a optarem por este tipo de veículos. Nomeadamente, criando os incentivos certos e disponibilizando uma verdadeira rede de postos de carregamento, em toda a União Europeia”, defendeu Jonnaert.