As baterias serão o tema de um encontro, agendado para a próxima quarta-feira, em Bruxelas, entre a União Europeia (UE), fabricantes automóveis como a Renault e a Daimler, companhias como a BASF, e tecnológicas como a Siemens.

A UE espera chegar a conclusões quanto à possibilidade de a Europa vir a criar uma indústria de desenvolvimento e produção de baterias, capaz de competir com os fabricantes destes tipo de equipamentos, na Ásia e nos Estados Unidos da América.

A nossa ambição é criar uma verdadeira indústria [de produção de baterias] na UE; uma verdadeira cadeia de valor, da qual deverá fazer, inclusivamente, parte, a componente da reciclagem”, afirmou à agência Reuters, o vice-presidente da Comissão Europeia, Maros Sefcovic.

Ele próprio defende que os fundos da UE poderão vir a ajudar à criação de um consórcio para o sector, no qual poderão participar muitas das companhias que já confirmaram a presença na reunião. Como, por exemplo, a Volkswagen, o Saft Group, uma participada da Total, que hoje em dia já fabrica baterias, o fabricante de pneus e componentes Continental AG, e o grupo de tecnologia de materiais Umicore.

Comentando o convite, a Volkswagen considerou já tratar-se de “uma boa iniciativa, no momento certo”, isto depois de o seu CEO ter apelado, no último mês, à indústria, para que criasse um fornecedor regional de baterias.

Grande parte dos fabricantes automóveis europeus tem vindo a acelerar a sua transição para o veículo eléctrico, de modo a cumprir os cada vez mais restritivos regulamentos anti-poluição, impostos pela UE. Embora muitos destes construtores montem já, eles próprios, os packs de baterias que utilizam, a verdade é que não existe um fabricante de baterias de dimensão global na região.

Actualmente, a maioria dos elementos de base utilizados no fabrico de baterias, no Velho Continente, é importada da Ásia. Contando-se, entre os principais players, os japoneses da Panasonic e da NEC, os sul-coreanos da LG e da Samsung, assim como os chineses da BYD e CATL. Sem esquecer os norte-americanos da Tesla.

Segundo analistas da Bernstein Research, citados pela Reuters, se as vendas de veículos eléctricos vierem mesmo a crescer da forma que os fabricantes automóveis esperam, será preciso um investimento na ordem dos 30 mil milhões de dólares (cerca de 25,5 mil milhões de euros) para desenvolver uma indústria europeia de baterias capaz de responder à procura.

De que forma é que a indústria automóvel vai conseguir construir, comprar ou encontrar baterias suficientes, ou até mesmo matérias-primas, se e quando a procura por veículos eléctricos disparar? A verdade é que esta é uma peça fundamental em falta no puzzle”, afirmam os mesmos analistas.

A aquisição de veículos eléctricos no Velho Continente mantém-se abaixo das expectativas, devido a uma rede de abastecimento limitada, assim como aos altos preços que são pedidos por este tipo de automóveis. Mas tudo isto pode mudar, a partir do momento em que o preço das baterias comece a cair de forma mais acentuada. Só em 2016, baixou 18%.