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Se se mantiverem as previsões de Passos Coelho antes das autárquicas, as eleições diretas para líder serão em dezembro e o Congresso de entronização do novo presidente em janeiro. As eleições vão ser convocadas num Conselho Nacional já na próxima segunda-feira, 9 de outubro. Nos próximos dias é o tempo de aparecerem as candidaturas à sucessão de Passos Coelho.

Quem marca as eleições internas?

A convocação de eleições diretas para presidente do partido é uma competência do Conselho Nacional — o órgão máximo entre congresso que reúne de dois em dois meses — onde Passos Coelho conta com a maioria dos conselheiros. A própria Comissão Política Nacional, presidida por Passos Coelho, deve propor neste órgão um calendário para as eleições diretas e para o Congresso Nacional, mas não será já. Na reunião desta terça-feira, Passos anunciou a sua não-recandidatura e acertou com o secretário-geral Matos Rosa a convocação de um novo Conselho Nacional, para dia 9 de outubro, onde serão marcadas as eleições diretas.

Quando serão as eleições?

Seguindo o plano gizado por Pedro Passos Coelho as eleições diretas serão assim em dezembro, seguindo-se o Congresso em janeiro, onde o novo líder seria entronizado e seria votada a sua equipa. Nos últimos anos, só em 2014 (quando o partido estava no poder) é que houve diretas antes da primavera: em janeiro. Em 2016, 2012, 2010 e nos anos anteriores (embora por diferentes razões) estas realizaram-se sempre após o início de março. O mandato de Passos termina em abril, mas desta forma deixará de ser líder em janeiro.

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Quem escolhe o novo líder do PSD?

Podem votar nestas eleições internas todos os militantes que estejam inscritos no PSD há pelo menos seis meses. Mas os estatutos salvaguardam que o tempo de inscrição na JSD também conta para esse efeito, e, mais curioso, salvaguardam que não podem votar nas diretas militantes que tenham sido condenadas a pena de prisão igual ou superior a três anos. Ao contrário de António Costa que, para ser eleito líder do PS, foi desafiado pelo então secretário-geral António José Seguro a submeter-se a primárias abertas a não militantes, o PSD deve manter as diretas limitadas aos filiados. Rui Rio, o único candidato que já é dado como certo, anda há vários meses pelas bases do partido a cimentar apoios mas é sabido que ter o apoio do aparelho do partido é o seu maior handicap. Mas tudo dependerá de quem for o adversário ou os adversários. Passos não é certamente.

Quem avança e quando?

Qualquer militante do partido pode candidatar-se à liderança desde que a candidatura seja subscrita por pelo menos 1.500 militantes com capacidade eleitoral. Cada militante só pode subscrever uma candidatura. O chorrilho de nomes de potenciais candidatos já começou. Rui Rio deverá anunciar a recandidatura na próxima semana, mas nomes como Luís Montenegro, Paulo Rangel, Santana Lopes, Pedro Duarte e até Miguel Pinto Luz vão sendo falados nos bastidores. Uns têm mais probabilidade de avançar que outros.

Rui Rio contra quem? Santana, Rangel e Montenegro ponderam avançar para a liderança

O que é que precisa para ganhar?

Será eleito presidente do partido quem tiver a maioria absoluta dos militantes que exercerem o direito de voto. Mas não é assim tão fácil. É muito importante perceber quem fica com a herança de Passos, que tinha até aqui tinha o aparelho controlado. As duas maiores distritais (Lisboa e Porto) estavam ao seu lado. De tal forma que a de Lisboa furou uma recomendação do Conselho Nacional para mudar de direção antes das autárquicas. Manteve, dessa forma, a influência da linha passista, embora não controle a concelhia. A distrital do Porto, a maior, dará, certamente, o apoio ao mesmo candidato que Marco António Costa. No PSD, o voto é uma expressão individual do militante, mas conta muito quem as distritais apoiam, embora por vezes haja divisões. Entre as 19 distritais, Braga e Aveiro também são bastante expressivas em termos de militantes e também ainda é difícil perceber para que lado vão cair. Além de Marco António Costa, há outro homem forte no aparelho que ainda mantém influência: Miguel Relvas. Sem um destes dois será muito difícil a qualquer líder ser eleito. Passos elogiou Rangel no Conselho Nacional, o que pode também baralhar as contas.

Marco António e Passos elogiam Rangel, que diz que é contra “Bloco Central”

Pela primeira vez, o PSD pode ter uma segunda volta em diretas. Passos venceu sempre com mais de 50% dos votos e a questão não se colocou, mas desde 2012 que os estatutos dizem que o presidente do partido é “o candidato que tenha obtido a maioria absoluta dos votos validamente expressos”. Em 2008, Manuela Ferreira Leite foi eleita com cerca de 38% dos votos, o que na altura chegava. Agora, se o candidato não obtiver maioria absoluta, haverá uma segunda volta até dez dias depois com os dois candidatos mais votados a irem a votos.