Há países da União Europeia que estão a negar o estatuto de refugiados a requerentes de asilo do Afeganistão, enviando-os de volta para o seu país de origem, onde correm perigo de vida e podem ser vítimas de perseguição por parte dos taliban ou de outros grupos terroristas. É esta a conclusão do mais recente relatório da Amnistia Internacional, que aponta o dedo a países como a Alemanha, Grécia, Suécia, Reino Unido e Noruega.

“Na sua determinação para aumentar o número de deportações, há governos europeus a implementar uma política que é descuidada e ilegal. Escolhendo fechar os olhos a provas de que a violência está num nível ímpar e que nenhuma parte do Afeganistão é segura, eles colocam as pessoas sob o risco de tortura, sequestro, morte e outros horrores”, disse Anna Shea, investigadora da Amnistia Internacional para a área de direitos dos refugiados e dos migrantes.

Em 2016, um total de 9.460 requerentes de asilo afegãos foram reenviados da União Europeia para o seu país de origem, de onde tinham fugido. Em 2015, tinham sido 3.290, o que representa um aumento de casos perto dos 300%. Em setembro de 2015, 68% das candidaturas a asilo formuladas por afegãos tinham resposta positiva. Em dezembro de 2016, só 33% tinham esse desfecho.

Cinco anos à espera para ouvir um “não” e quase sofrer um ataque suicida

Entre as famílias que foram rejeitadas estão a de Fahima (nome fictício), que aos 44 anos chegou à Noruega com o marido e com dois filhos. Lá chegados, juntaram-se a uma filha, de 13 anos, que já tinha chegado à Noruega, onde conseguiu asilo. A família passou cinco anos junta na Noruega, enquanto os pedidos de asilo para os pais e os dois filhos eram analisados. Em 2016, receberam uma resposta negativa e tiveram de sair da Noruega em direção ao Afeganistão. No regresso ao país de origem, o seu marido e um dos seus filhos escapou por pouco a um ataque suicida que matou pelo menos 14 pessoas numa mesquita xiita em Cabul.

Segundo o depoimento recolhido pela Amnistia Internacional, Fahima tentou pedir novamente asilo à Noruega, tendo-se deslocado à embaixada daquele país no Afeganistão. “Mas os guardas disseram-nos que por razões de segurança não podiam deixar ninguém entrar na estrada [da embaixada] e nós tivemos de ir embora”, conta. “Se os diplomatas noruegueses estão escondidos atrás de paredes de betão e até uma pessoa indefesa como eu não pode entrar por razões de segurança, como é que eles podem achar que é seguro para mim voltar a viver neste país?”

De acordo com a Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão, um total de 11.418 pessoas foram mortas ou feridas na sequência de ataques contra civis. Estes ataques são da responsabilidade de grupos como os taliban ou o autoproclamado Estado Islâmico.