A Amnistia Internacional lamentou nesta quinta-feira o “trágico, deplorável e altamente suspeito” assassínio do autarca moçambicano anticorrupção Mahamudo Amurane, ocorrido na noite de quarta-feira, instando as autoridades de Moçambique a “abrir de imediato uma investigação”.

“Desde que entrou em funções, em 2013, o presidente da câmara de Nampula combateu corajosa e frontalmente a corrupção, não sendo segredo algum que isso o tornou alvo de ataques, mesmo dentro do seu próprio partido, o Movimento Democrático de Moçambique (MDM)”, disse o diretor regional da Amnistia Internacional para a África Austral, Deprose Muchena, em comunicado.

“As autoridades moçambicanas devem de imediato abrir uma investigação completa, transparente e imparcial a este homicídio, tornar públicas as conclusões dessa investigação e assegurar que os suspeitos autores deste crime sejam apresentados à justiça e submetidos a um julgamento justo”, defendeu o responsável da organização de defesa dos direitos humanos.

Desde que foi eleito para dirigir a câmara da cidade de Nampula, Mahamudo Amurane, de 44 anos, iniciou uma campanha sem precedentes de combate à corrupção na administração da cidade e de revitalização das infraestruturas públicas.

Após desentendimentos com a liderança do MDM, Amurane tinha anunciado a sua intenção de sair e formar o seu próprio partido para se recandidatar às eleições municipais, em outubro de 2018. Na quarta-feira à noite, foi abatido com três tiros por um desconhecido na farmácia que geria no rés-do-chão da sua residência, em Nampula.