A foto aqui acima colocada é uma das mais recentes de Jeff Bezos, o CEO da Amazon e um dos homens mais ricos do mundo. Mas também foi propositadamente escolhida entre centenas e centenas onde surge em eventos públicos de smoking ou fatinho à medida. Nesta imagem, o americano, que se encaminhava para a Allen & Company Sun Valley Conference – evento restrito que junta os empresários mais poderosos do mundo nos media, na finança, na tecnologia ou na política –, parece uma personagem retirada de um filme de ação. Um simpático bad ass, daqueles que têm uma história para nos contar. Bezos tem. E inspirada numa história de outro: Kazuo Ishiguro.

Hoje, muitos dirão que gostam de Ishiguro (basta fazer uma curta passagem pelas redes sociais). Amanhã, se calhar ainda mais. Mas ontem já havia um que gostava mesmo: Jeff Bezos. E por inspiração da mulher, MacKenzie, também ela escritora (o primeiro livro foi O Teste de Luther Albright, assim descrito pelo The New York Times) e que admitiu numa entrevista que o bilionário apenas chegou à sua obra… um ano depois de ter aberto a Amazon.

Os Despojos do Dia, livro mais conhecido do inglês nascido no Japão, está no top das melhores obras para o empresário americano. Numa entrevista à Newsweek, e curiosamente no longo comentário à frase “Steve Jobs previa que o Kindle ia falhar porque as pessoas já não leem”, Bezos recorre à obra para explicar que “quem lê pensa ‘Acabei de passar dez horas a viver uma vida alternativa e aprendi algo sobre a vida e sobre arrependimento’”. “Não se consegue fazer isso num post de um blogue”, resumiu.

Curiosamente, MacKenzie, que conheceu Bezos em 1992, saltou para a ribalta por causa de uma crítica que fez a um livro… sobre o marido (The Everything Store). “É algo cheio de técnicas que aumentam os limites de não ficção e o resultado acaba por ser um retrato distorcido e enganador das pessoas e da cultura da Amazon. Tem muitas imprecisões, o que levanta dúvidas sobre todos os episódios descritos”, escreveu, dando apenas uma estrela, ou seja, a pior avaliação possível (e foi a primeira a fazê-lo). E também aqui ‘Os Despojos do Dia’ é citado.

“No primeiro capítulo, o livro prepara o palco para a decisão de Bezos em deixar o seu trabalho e construir uma livraria na Internet. ‘Nessa altura, Bezos estava a pensar no que faria a seguir, tinha acabado de ler o romance Os Despojos do Dia, de Kazuo Ishiguro, sobre um mordomo que recorda com saudade as suas escolhas pessoais e profissionais durante a carreira, durante os tempos de guerra na Grã-Bretanha. Assim, as conjunturas do seu passado estavam na cabeça de Bezos quando ele surgiu com aquilo a que chamou de quadro de minimização de arrependimento para decidir qual o próximo passo a dar na carreira’. É um bom início e entrelaça bem com o que se iria passar. Mas não é verdade: o Jeff só leu Os Despojos do Dia um ano depois de ter fundado a Amazon”, disse MacKenzie Bezos, numa análise que fez correr muitos comentários pelo caricato da situação.

Os Despojos do Dia faz parte de uma lista de 12 livros apresentados este ano pela CNBC como as obras que “moldaram” um dos homens mais ricos do mundo (já chegou a estar na frente, mas foi de novo ultrapassado por Bill Gates e Warren Buffett), sendo que a maior parte são publicações mais técnicas ou biografias como a história de Sam Walton, empresário americano falecido em 1992 que fundou a Walmart e o Sam’s Club.

Notícia corrigida e atualizada às 17h30