Vulgarmente apontada como a marca automóvel do Grupo Volkswagen que mais cresceu nos últimos anos, tendo até já abandonado a imagem de produto low-cost no seio da oferta do conglomerado germânico, a verdade é que a Skoda tem alcançado estes feitos graças ao acesso sem restrições a praticamente todos os avanços conseguidos pelas restantes marcas do grupo. Comercializando-os depois em produtos que pouco ou nada ficam atrás dos modelos vendidos, por exemplo, com o emblema Volkswagen. Mas que são consideravelmente mais baratos.

Perante isto, avança a Reuters, os responsáveis máximos do construtor de Wolfsburgo começam a torcer o nariz, pensando já numa forma de obrigar o fabricante de Mladá Boleslav a pagar maiores royalties pela utilização das tecnologias desenvolvidas no seio do grupo alemão.

Recorde-se que, depois de ter começado como uma marca de segundo plano no seio do Grupo Volkswagen, a Skoda figura já, hoje em dia, à frente da Volkswagen, em alguns rankings. Com muitos analistas a levantarem, inclusivamente, a questão de porquê comprar um Golf, se, por um valor consideravelmente mais baixo, é possível adquirir um Octavia, modelo com mais espaço e uma qualidade muito próxima do modelo alemão. Interrogação que, a par dos menores custos de produção conseguidos pela marca checa, permitiu já à Skoda aumentar os seus lucros operacionais para qualquer coisa como 1,2 mil milhões de euros, em 2016. Isto, com uma margem de lucro de 8,7% – algo que só a marca de desportivos de luxo Porsche consegue suplantar, no seio do grupo.

Pouco confortável com esta situação, conseguida às custas das marcas de maior imagem, como a Volkswagen e a Audi, o Grupo Volkswagen estará já a preparar uma solução que leve a marca checa a pagar maiores royalties pela utilização de componentes como, por exemplo, a nova plataforma MQB. Sem a qual, aliás, a Skoda já não pode passar, uma vez que a utiliza em grande parte da sua gama, como é o caso do Octavia, Superb, Kodiaq e Karoq.

O grupo alemão admite ainda vir a transferir parte da produção da Skoda para fábricas alemãs, cuja produção está actualmente abaixo da sua capacidade máxima, devido à procura abaixo das previsões de modelos como o Golf ou o Passat. Evitando, assim, o despedimento de trabalhadores.

Com estas medidas, o conglomerado germânico espera acabar com as “vantagens injustas” de que a Skoda beneficia, ao mesmo tempo que tal deverá contribuir para que a marca-mãe, a Volkswagen, consolide a sua posição de liderança. Isto embora, nos últimos anos, o fabricante de Mladá Boleslav tenha vindo a reduzir a distância no número de vendas.

Basicamente, a intenção do Grupo Volkswagen parece ser lançar um aviso aos responsáveis checos da Skoda, recordando-lhes qual é o seu lugar – o fundo da pirâmide. Isto, apesar dos lucros que têm vindo a proporcionar ao construtor alemão…