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O Mar Menor está a separar-se do mar Mediterrâneo de forma cada vez mais acelerada. Uma equipa de investigadores, que estudou aquela zona, mostrou ao El País as suas preocupações com um possível desaparecimento daquela ligação.

De acordo com imagens de satélite recolhidas pelo grupo de investigadores do Instituto Murciano de Investigação e Desenvolvimento Agrário e Alimentar, o principal canal que liga ambos os mares diminuiu cerca de 80%. As imagens de um drone marinho concluíram também que o canal apenas já tem 25 centímetros de profundidade.

A equipa ressalva que um eventual desaparecimento deste canal pode pôr em causa a temperatura, salinidade, clorofila e turvação do futuro daquela lagoa. Um dos investigadores, Manuel Erena, refere ao jornal que “desde 2009, a principal passagem do Mar Menor (“Las Encañizadas”) passou de um tamanho de 540 metros para 120 metros”, acentuando-se principalmente nos últimos dois anos. Já sobre a profundidade, o investigador adianta que se passou de 70 para apenas 25 centímetros.

Essas diferenças são, aliás, percetíveis neste vídeo, onde podemos ver um “antes” e um “depois” do Mar Menor – atente no caudal e no “desaparecimento” desta pequena lagoa ao longo do tempo.

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https://www.youtube.com/watch?v=4mcsZEzKedI

O contacto entre estes mares faz-se através da “La Manga” – a faixa de terra que separa o Mar Menor do Mediterrâneo -, por quatro lençóis de água. É esta barreira, com cerca de 22 quilómetros de comprimento e 100 de largura média, que permite o contacto entre estes mares, tal como o intercâmbio de nutrientes e biodiversidade marinha.

Para além disso, tem-se assistido ao crescimento de algas invasoras, resultado do aumento da utilização de fertilizantes – que acabam no Mar Menor. Tal crescimento de matéria orgânica (mas também inorgânica) acaba por se alastrar pelas águas e impedir a entrada e passagem de luz até áreas de maior profundidade. “Tudo o que está debaixo de 1,5 metros morre”, lembra o investigador.

A equipa está desde maio, em conjunto com outras universidades espanholas e alemãs, a estudar aquela lagoa. O grupo concluiu que “o estado ecológico, a sua complexidade e a sua capacidade de se defender a agressões externas, depende completamente da sua ligação restrita ao mar adjacente”, explicou Ángel Pérez-Ruzafa, um catedrático de ecologia da Universidade de Murcia.

Se a ligação se reduzir demasiado, as lagoas perdem a sua produtividade e estrutura biológica”, sublinhou.

Ainda assim, o mesmo especialista tem esperança de que o Mar Menor consiga escapar a um rótulo de “mar morto”, dadas as suas “singularidades hidrodinâmicas e ecológicas” que lhe permitem ter uma “grande capacidade de autorregulação e recuperação”. A sua existência irá depender “das comunicações com o mar Mediterrâneo”, e passa por “não serem excessivas, mas que também não se percam completamente”.

Os autores da investigação disponibilizaram também um site onde pode fazer uma “visita virtual” 360º à zona. Pode explorar tudo aqui.