A líder do CDS-PP admite em entrevista ao DN que o exemplo da solução de Governo de António Costa, apoiada por PCP e Bloco de Esquerda, pode ser seguido pela direita nas próximas eleições caso PSD e CDS consigam, juntos, ter a maioria dos deputados no Parlamento, mesmo que não concorram em coligação. Assunção Cristas garante, por outro lado, que não faz sentido “neste momento” pensar em acordos com o PS porque o partido socialista se “encostou claramente” à esquerda.

Faz sentido admitir que o CDS-PP possa negociar com o PS um apoio parlamentar, ou Cristas apenas admite acordos com o PSD? “Isso aconteceu historicamente e eu acho que neste momento não voltará a acontecer, porque claramente o Partido Socialista encostou-se à esquerda, fez a sua opção preferencialmente pela esquerda, tornou-se líder de um bloco das esquerdas unidas, com dois partidos de esquerda bastante radical e, portanto, é aí que está”.

O que nós queremos é construir uma alternativa centro-direita e nessas eleições o que nós queremos é que o bloco CDS/PSD possa ser maior do que o bloco PS/PCP/BE e é para isso que eu trabalharei até ao limite, e é isso que eu acho que faz sentido neste momento em Portugal”.

Para que CDS-PP e PSD possam vir a formar governo, Cristas admite, até, que nenhum dos dois tenha de ser o partido mais votado. “Pela primeira vez nós vemos em Portugal um governo liderado por alguém que ficou em segundo lugar nas eleições, mas que conseguiu juntar uma maioria parlamentar. Isto quer dizer que deste lado também pode acontecer o mesmo, ou seja, de hoje para amanhã até pode um dos partidos ficar em segundo lugar comparando com o Partido Socialista, o PS ficar em primeiro e o PSD e o CDS não ficarem em primeiro lugar, mas os dois juntos serem capazes de ter 116 deputados. Isso certamente que determinará um governo neste espaço político”, afirmou Assunção Cristas.

Contudo, questionada sobre se conta regressar ao Governo já em 2019, a líder centrista diz não se preocupar com isso para já. “Neste momento o que me interessa é ser uma ótima vereadora, fiscalizadora do executivo de Fernando Medina e sempre autora de propostas que façam sentido para a nossa cidade”, disse.

Relativamente à câmara de Lisboa, Cristas rejeita ter funções executivas como vereadora ou um acordo com o PS que permita a Medina ter maioria. “Nós tirámos a maioria absoluta a Fernando Medina que passou de 11 para 8 vereadores e aquilo que fizemos foi afirmarmo-nos como a oposição, ficámos em segundo lugar destacados de todos os outros partidos e somos os líderes da oposição em Lisboa”, disse Cristas, acrescentando que pensa que “Fernando Medina não terá dificuldade nenhuma em entender-se com o Bloco de Esquerda à partida, visto que só lhe falta um vereador para ter a maioria ou, eventualmente, com o PCP”.

Preferindo não fazer uma leitura política sobre se Passos Coelho fez mal em não apoiar a sua candidatura a Lisboa, Assunção Cristas recorda que avançou como candidata quando sentiu que existia “profunda concordância do partido“, mas “conversando também com o PSD” e percebendo que “não havia espaço” para coligação entre os dois partidos.

“O PSD tinha um compromisso com o Pedro Santana Lopes e queria honrá-lo até ao final do ano e nós não podíamos esperar até ao final do ano, foi muito simples. Depois havia outra diferença, eu estava muito focada nas autárquicas e Pedro Passos Coelho achava que haveria legislativas antes das autárquicas e isso muda, obviamente, o quadro das prioridades e o sentido de urgência em relação às coisas”, recordou Cristas.

Sobre o bom resultado do CDS nas autárquicas, Cristas prefere não o tomar como garantido. “Eu gostava de dizer que é algo de estrutural, mas não acho que se possa dizer isso, seria uma grande arrogância dizê-lo e eu procuro ter sempre uma atitude de humildade“, afirmou Cristas.

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