Desemprego

Desemprego de longa duração é mais pesado do que no tempo da troika

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Apesar de a economia estar a crescer e a taxa de desemprego a baixar, o volume dos desempregados de longa duração sobre o volume total de desempregados é maior hoje do que há seis anos.

PAULO NOVAIS/LUSA

A taxa de desemprego está a descer, a economia está a crescer, mas o volume daqueles que não conseguem encontrar trabalho há mais de um ano face ao volume total de desempregados é hoje ainda mais pesado do que nos tempos da troika. Segundo o Diário de Notícias, o peso do desemprego de longa duração no total de desempregados ultrapassou os 59% no segundo trimestre deste ano, acima dos 52,9% que registava nos primeiros três meses de 2011.

De acordo com o mesmo jornal, o desemprego de longa duração é motivado sobretudo pela falta de investimento em formação profissional, ora pelas empresas ora pelo próprios trabalhadores, que, muitas vezes numa idade já avançada, não investem na aprendizagem de novas competências.

Se a taxa de desemprego chegou a atingir o pico de 17,5% em 2013, durante a aplicação do programa de ajustamento da troika, agora está já nos 8,9%. Mas isso não quer dizer que estejam também a diminuir os desempregados que procuram emprego há muito tempo. Antes pelo contrário: no segundo trimestre deste ano, segundo o INE, havia 461,4 mil desempregados, dos quais 273,2 mil estavam sem trabalho há mais de um ano. Desses, 70% estava sem trabalho há mais de dois anos, e 55,6% há mais de seis anos.

Números mais elevados, em proporção, do que os que se registavam nos tempos da troika, em que a taxa de desemprego era bastante maior.

O Banco de Portugal prevê que a economia portuguesa cresça 2,5% neste ano, mais ainda do que prevê o Governo, cujas previsões iniciais apontavam para 1,8%, mas o regulador tem vindo precisamente a alertar para o perigo de, apesar de a retoma económica ser evidente, o desemprego de longa duração vir a ser um travão ao crescimento do PIB.

Certo é que nem sempre o “desemprego real” coincide com o desemprego oficial. Em agosto deste ano, o INE publicou pela primeira vez dados relativos às pessoas que, para efeitos de contabilização oficial, ficam habitualmente de fora do conceito de “desempregados” por se enquadrarem nas definições de inatividade ou de subemprego. E os resultados foram muito diferentes: no segundo trimestre do ano havia afinal mais de 903 mil desempregados “reais”, quase o dobro dos 461,4 mil desempregados que estavam a ser contabilizados para os dados oficiais.

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