Paula Rego

Autorretratos inéditos de Paula Rego após queda expostos no Reino Unido

726

Em janeiro deste ano, Paula Rego caiu e bateu com a cara num pavimento e cimento, tendo de recorrer a sutura hospitalar. Decidiu autorretratar-se assim mesmo: com um golpe profundo na testa.

Paula Rego tem 82 anos e vive em Londres desde os 17

JOSÉ COELHO/LUSA

Uma série de autorretratos inéditos produzidos após uma queda que lhe feriu a testa fazem parte de uma nova grande exposição de Paula Rego numa galeria britânica, que inclui também telas inspiradas num livro de Hélia Correia.

A exposição, que abre ao público a 21 de outubro na galeria Jerwood Gallery, em Hastings, será a primeira a mostrar os cinco desenhos que a pintora portuguesa realizou após uma queda em janeiro deste ano. Rego, de 82 anos, embateu com a cara num pavimento de cimento, resultando num golpe profundo na testa que precisou de ser suturado no hospital.

Todavia, poucos dias depois, a artista retomou o trabalho e começou a retratar-se a si própria no seu estado contundido, acrescentando uma nova dimensão aos quadros produzidos. Paula Rego tem poucos autorretratos na sua obra, mas lembra-se de, certa vez, se ter feito representar usando uma máscara de macaco, algo mesmo assim invulgar.

Eu nunca pinto autorretratos, prefiro pintar outras pessoas. Pintei-me com as feridas porque era interessante, deu-me uma razão para pintar um autorretrato. [O curador da exposição] Colin Wiggins gostou deles e levou-os do meu estúdio. Não tinha nenhuma razão para não os mostrar”, disse à agência Lusa.

A exposição, que permanece até 7 de janeiro de 2018, vai também apresentar o trabalho mais recente da pintora, uma série de quatro telas inspiradas nas histórias do livro de Hélia Correia intitulado “Bastardia”, vencedor do Prémio Máxima de Literatura em 2006.

A artista considera a narrativa “maravilhosa”, começando pelo primeiro capítulo, que relata “o que as sereias fazem às pessoas”.

“Eu sabia que podia usá-lo para fazer trabalho. Uma das personagens, uma menina, é violada. A avó dela fica tão transtornada que quer morrer, mas não consegue, e um menino cresce a pensar que o pai dele é o mar. No final, o céu é azul, o mar é azul e o menino é azul porque está morto. Maravilhoso”, exaltou.

A exposição foi programada por Colin Wiggins, que trabalhou nos museus Britânico e National Gallery, e abrange 28 anos da carreira de Paula Rego, incluindo gravuras, desenhos, pastéis e pinturas.

Entre os trabalhos já conhecidos estão quadros das séries “A Relíquia”, “O Último Rei de Portugal” e “O Primo Basílio”, desenhos das séries sobre depressão, litografas de “Jane Eyre”, “Peter Pan” e “Nursery Rhymes”, bem como alguns dos bonecos que faz em têxtil para servirem de modelos para as suas pinturas.

Wiggins disse à Lusa ter ficado fascinado quando descobriu os desenhos: “A minha reação inicial foi ficar em frente deles com a boca aberta e dizer: ‘O que raio é isto?'”.

Ao escutar a história da queda e de como Paula Rego escarafunchava os pontos, prolongando a recuperação e também a oportunidade para se pintar a si mesma naquele estado, o curador da exposição admite ter hesitado em pedir, mas Paula Rego não hesitou pareceu preocupada em mostrar os desenhos.

Perguntei a Paula se, ao fazer esses trabalhos, ela estava, até certo ponto zangada com o declínio inevitável que todos vamos enfrentar se vivermos tempo suficiente. A resposta da Paula ao que eu pensava ser uma questão séria foi simplesmente rir e dizer ‘Oh não, eu só achei interessante ver como é que eu estava!'”, contou.

A Jerwood Gallery completou este ano cinco anos de atividade num edifício situado na orla marítima da cidade costeira de Hastings, onde tem uma coleção de arte do século XX e promove exposições de artistas contemporâneos, estabelecidos ou emergentes. Para financiar esta grande retrospetiva da obra de Paula Rego, recorreu a uma campanha de financiamento coletivo na Internet (‘crowdfunding’) que superou a meta de angariar 25 mil libras (28 mil euros).

Paula Rego vive e trabalha em Londres, para onde se mudou com 17 anos para estudar na Slade School of Fine Art. Em 2010 foi distinguida pela rainha Isabel II com o grau de Oficial da Ordem do Império Britânico pela sua contribuição para as artes.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Futuro

As novas tecnologias e o futuro do ser humano

Maria de Sousa Pereira Coutinho

A “utopia trans-humanista” reside em se considerar o progresso como uma transformação da nossa concepção de vida e da própria “condição humana”, a fim de se obter um outro ser humano, um “homem novo".

Mundial 2018

O orgulho da Nação /premium

Paulo de Almeida Sande

Eu, português, da Nação dos lusitanos, “Estou Aqui”, sou da têmpera dos antigos Descobridores, sou do tamanho do Cristiano, o melhor do Mundo. Tenho direito a ser feliz. Façam lá o favor de ganhar.

Mundial 2018

Nem só de futebol vive a Rússia /premium

José Milhazes

No dia de abertura do Campeonato, o primeiro-ministro russo anunciou o aumento da idade da reforma de 60 para 65 para os homens e de 55 para 63 para as mulheres. E fez subir o IVA de 18 para 20%.  

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)