A startup portuguesa que promete criar call centers em “cinco minutos” quer ajudar outros projetos tecnológicos a atacar o mercado norte-americano. Como? Através da AppConnect, a loja de aplicações para empresas que a Talkdesk lançou em abril e que funciona como a AppStore funciona para os utilizadores do sistema operativo iOS – as empresas podem descarregar aplicações de outras organizações, testá-las gratuitamente e depois subscrevê-las, mediante um pagamento que varia consoante as necessidades de cada cliente.

Seis meses depois do lançamento, a AppConnect conta com mais de 20 parceiros e 1500 clientes e a Talkdesk quer utilizá-la para ajudar outras tecnológicas portuguesas a iniciar atividade nos EUA. As empresas que se juntarem ao marketplace de aplicações da Talkdesk vão poder acompanhar a startup em eventos e feiras internacionais, por exemplo.

“Sabemos que em Portugal se faz tecnologia fantástica e a dificuldade que existe em colocar essa tecnologia no mercado. O ‘go to market’ para os EUA é difícil de fazer. Havendo tecnologia e vontade das empresas em investir na conexão connosco, o que possibilitamos é fazerem um ‘go to market’ connosco. Vamos estar agora no evento da Salesforce, que é um dos maiores do mundo, e vamos ter um pequeno stand dentro do nosso stand para os parceiros”, explica ao Observador Marco Costa, diretor geral da região da Europa, Médio Oriente e África (EMEA) da Talkdesk.

A ideia é que as empresas portuguesas possam utilizar a loja da Talkdesk como “montra de visibilidade”, chegando a outras empresas de braço dado com a startup liderada por Tiago Paiva. Sobre os contratos que depois se venham a realizar no marketplace da Talkdesk, a startup recebe uma taxa.

Talkdesk lança loja de aplicações para empresas, a AppConnect

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Cristina Fonseca e Tiago Paiva lançaram a Talkdesk em 2011 para permitir a outras empresas criar um call-center sem a necessidade de instalar um software ou outro equipamento específico. Pouco tempo depois, foi selecionada para receber investimento e participar num programa de aceleração da norte-americana 500 Startups. Foi a primeira empresa portuguesa a consegui-lo.

Seis anos depois, Marco Costa explica que a empresa está a evoluir para uma comunicação multicanal (e não apenas de voz) em tempo real. “Assim como o CRM toma conta de todos os dados dos clientes [das marcas], é preciso fazer o mesmo para as comunicações, guardando todas as interações, através do telefone ou de chats, com os clientes em tempo real”, explicou.

200 milhões de chamadas processadas até ao final do ano

Atualmente, a Talkdesk processa “muitos milhões” de chamadas por mês. “Em abril, chegámos às 100 milhões de chamadas acumuladas desde o início no mundo todo. No final do ano, vamos certamente chegar à 200 milhões de chamadas. Demorámos cinco anos a atingir 100 milhões de chamadas e agora em poucos meses vamos duplicar”, afirmou Marco Costa.

Talkdesk atinge 24 milhões em investimento internacional

Em abril de 2017, a Talkdesk anunciou a abertura de um escritório no Porto, depois de já ter um escritório em Lisboa e outro em São Francisco, nos EUA, tendo contratado mais de 100 pessoas em Portugal. Ao todo, emprega cerca 350 profissionais nos três escritórios. Sobre a faturação da empresa, hesita porque os dados não são públicos, mas garante que o valor anual já é superior aos 24 milhões de euros que a empresa captou em rondas de investimento.

Sobre o número de clientes, Marco Costa diz que a empresa tem vindo a subir cada vez mais na dimensão e que conta com nomes como a IBM, a Galp ou a Accenture. O principal mercado são os EUA, sendo que a Talkdesk tem clientes que trabalham em 70 países diferentes.

Em janeiro de 2016, os fundadores da Talkdesk foram destacados pela revista Forbes como dois dos empreendedores sub-30 a manter debaixo de olho. Já em julho de 2017, foi destacada pela mesma publicação como uma das 100 melhores empresas mundiais a atuar na nuvem, ao lado de nomes como Dropbox, Mailchimp ou Evernote.

Portuguesa Talkdesk destacada pela Forbes como uma das melhores empresas “cloud”

Marco Costa explica que o objetivo da empresa é continuar a melhorar o produto e que ainda têm muito para crescer. “Apesar de termos crescido para uma dimensão que é muito relevante, achamos que ainda temos muito por fazer, Temos um mercado enorme para apostar”, explica o responsável pelo mercado europeu. Sobre se está para breve uma eventual entrada em bolsa (IPO), diz que não. “Essa questão não se coloca agora. Neste momento, não queremos dispersar capital em bolsa nem vender a empresa”, sublinha.