A Argentina tem uma das linhas atacantes mais fortes do mundo. Ele é Di María, ele é Higuain, ele é Dybala, ele é Aguero, ele é Icardi, ele é Benedetto, ele é Salvio, ele é Alaro, ele é Correa, ele é Acuña (que até anda a ser opção como lateral esquerdo), ele é um pouco de tudo. E depois, há Messi. E quando lhe perguntaram nesta história que foi escrita em Quito se ele ia ao Mundial, ele levantou-se e disse: “Vou. E é para ganhar”.

À entrada da última jornada, a vice-campeã mundial Argentina estava fora da edição de 2018 e com o segundo pior ataque da zona sul-americana com apenas 16 golos em 17 jogos. Por isso, precisava ganhar ao Equador para, pelo menos, e em função dos outros resultados, garantir um lugar no playoff intercontinental. E a coisa nem começou nada bem, com Romário Ibarra a dar vantagem aos visitados logo aos 39 segundos. No entanto, ele apareceu.

No jogo do tudo ou nada, Messi colocou a equipa às costas e levou-a até à Rússia, num filme verdadeiramente de sonho onde apontou um hat-trick. São já 49 golos em 49 jogos realizados no ano civil de 2017, naquele que foi também a quinta partida em que apontou três golos pela Argentina (que se juntam a mais 39 pelo Barcelona). E neste longo filme da última jornada sul-americana, quem ficou com a fava foi mesmo o Chile de Arturo Vidal e Alexis Sánchez que, após a derrota no Brasil por 3-0 e o empate entre Peru e Colômbia, ficou fora do Mundial.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Bola ao meio, 39 segundos e golo… do Equador (1′)

Para uma equipa que procurava entrar forte para marcar e serenar a ansiedade, o arranque não podia ter corrido pior para a Argentina: com apenas 39 segundos de jogo, o Equador aproveitou da melhor forma a passividade do conjunto comandado por Jorge Sampaoli para se adiantar no marcador por Romário Ibarra, assistido por Ordóñes. Nesta altura, estavam qualificados Brasil, Uruguai, Chile, Colômbia e Peru, o último para o playoff.

Primeira jogada de génio, primeiro golo e empate da Argentina (12′)

Quase metade da equipa inicial da Argentina jogou ou joga em Portugal: Otamendi, Enzo Pérez, Acuña, Salvio e Di María. E foi o último, que está agora no PSG, a combinar de forma perfeita com o capitão Leo Messi, que começou e acabou da melhor forma a jogada do golo do empate aos 12 minutos. Ainda assim, e como todos os restantes jogos continuam a zero, os argentinos continuam fora do Mundial. Nesta altura, estavam qualificados Brasil, Uruguai, Chile, Colômbia e Peru, o último para o playoff, os mesmos à partida para a última ronda.

Facilitaram outra vez e Messi bisou, pois claro (20′)

A Argentina conseguiu colocar-se em lugar de apuramento aos 20 minutos, quando Messi aproveitou uma clara desatenção da defesa equatoriana que não foi expedita a tirar a bola, ganhou um ressalto e, já na área, disparou um míssil que terminou no fundo das redes de Banguera. Bastaram apenas nove minutos para, de novo com Di María na jogada, os argentinos darem a volta e, pela primeira vez, entrarem na qualificação. Nesta altura, e com todos os outros jogos a zero, estavam qualificados Brasil, Uruguai, Argentina, Chile e Colômbia, o último para o playoff.

Uruguai e Argentina em festa, Peru e Paraguai em desespero (45′)

Os minutos passavam e as notícias que chegavam eram boas para a Argentina. Pelo menos a primeira: na surpresa da noite, a já eliminada Bolívia vencia o Uruguai fora por 1-0, beneficiando de um golo na própria baliza de Gastón Silva (24′). E os golos seguintes voltaram a ser nessa partida, quando Martin Cáceres e Cavani viraram o resultado em pouco mais de dois minutos (40′ e 42′). Ainda assim, e como passar no primeiro ou no quarto lugar era o mesmo, o conjunto de Sampaoli cumpria o objetivo ao intervalo, vencendo por 2-1 e estando virtualmente no Mundial graças à inspiração de Messi, que se tornou o terceiro jogador sul-americano com 60 ou mais golos pela seleção (depois de Pelé e Ronaldo). Brasil, Uruguai, Chile e Colômbia (playoff) eram os outros “vencedores” da noite.

O Chile a afundar-se, a Argentina a aguentar-se (60′)

Como seria de esperar, as equipas tentaram retardar um pouco o recomeço do encontro, com o intuito de saberem o resultado que mais lhe interessava um pouco antes do final do seu jogo. A Argentina não foi exceção e, quando todos os intervenientes já estavam em campo (incluindo equipa técnica e suplentes argentinos), Messi e companhia voltaram ao relvado. No entanto, só num campo houve golos no primeiro quarto de hora da segunda parte e em versão dupla: Paulinho e Gabriel Jesus colocaram o Brasil a vencer o Chile por 2-0, o que relegava os chilenos para a sexta posição devido à diferença entre os golos marcados e sofridos. Nesta altura, estavam qualificados Brasil, Uruguai, Argentina, Colômbia e Peru, este último para o playoff.

O golo de James Rodríguez e (mais) um momento de Messi (62′)

A Colômbia tinha acabado de colocar-se numa posição mais confortável após o golo de James Rodríguez no Peru quando a defesa argentina conseguiu cortar um lance em balão para a frente. Azar dos equatorianos, caiu nos pés de Messi. E o pequeno génio fez uma diagonal em velocidade e fez um fabuloso chapéu por cima do guarda-redes adversário, completando o hat-trick e aumentando (e muito) a margem de conforto da Argentina. No meio destas alterações, e com Suárez a aumentar a vantagem do Uruguai frente à Bolívia para 3-1, estavam qualificados Brasil, Uruguai, Argentina, Colômbia e Chile, que passava assim para o quinto lugar com acesso ao playoff.

Depois do hat-trick de Messi, o bis de Luís Suárez (75′)

As perninhas já começavam a falhar a alguns jogadores argentinos, claramente desgastados pela intensidade do jogo e pelo facto de estarem a alinhar a quase 3.000 metros de altitude (o que faz sempre mossa para quem não está habituado). Ainda assim, o 44.º hat-trick de Messi, quinto pela seleção, dava total conforto à Argentina. Ao mesmo tempo, Luís Suárez também fazia a festa com um bis frente à Bolívia (4-1, que passou a 4-2 pouco depois com mais um autogolo, desta feita do central Godín). Quem não tinha razões para festejar era o Chile que, a perder por 2-0 com o Brasil, viu o Peru empatar o encontro com a Colômbia com um golo de Guerrero. Nesta altura, estavam qualificados Brasil, Uruguai, Argentina, Colômbia e Peru, para o playoff.

E no final passaram os melhores e a fava foi para o Chile (90′)

Enquanto o golo do venezuelano Yangel Herrera praticamente atirava para fora da corrida o Paraguai (0-1 aos 84′), tudo girava em torno do Peru-Colômbia, que mexia na classificação com um simples golo para cada um dos lados. E percebeu-se que tudo aquilo que se falava, afinal, era uma mão cheia de nada: nem o Equador deu a vida para ganhar um jogo onde simplesmente a Argentina (ou Messi) foi melhor em troca de malas de dinheiro, nem o Brasil facilitou contra o Chile com o intuito de prejudicar os rivais argentinos. Contas feitas, os principais favoritos passaram para a fase final do Mundial e acabou por ser o Chile, que partia na terceira posição, a cair para fora no sexto lugar (ainda sofreu um terceiro golo, por Gabriel Jesus), ao invés de Brasil, Uruguai, Argentina, Colômbia e Peru, que vai defrontar a Nova Zelândia no playoff intercontinental.