Em 2012, Caitlan Coleman e Joshua Boyle partiram em viagem para a Europa de Leste e Ásia Central um ano após a americana e o canadense se terem casado na Guatemala. A ideia era fazer uma última viagem antes de iniciarem a vida de pais – Caitlan estava já nos últimos três meses de gravidez. Passaram pela Rússia, Cazaquistão, Quirguistão e Tajiquistão. Este último faz fronteira com o Afeganistão, país ao qual Caitlan prometera à família não ir. Mas foi.

Coleman e Boyle acabaram capturados pelos Talibã e mantidos em cativeiro. Enquanto reféns, o casal teve três filhos, e muitos foram os vídeos que gravaram a fazer pedidos aos Estados Unidos em nome dos terroristas em troca da sua libertação. Os americanos nunca concederam. Passados 5 anos, forças militares do Paquistão conseguiram finalmente resgatar a família, que se encontra a caminho do Canadá.

O resgate foi conseguido graças a um esforço conjunto entre as forças paquistanesas e a inteligência americana. Num comunicado, o presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, disse que a cooperação entre ambos os países era “um momento positivo” para as relações com o Paquistão e que prova que o governo paquistanês está a “honrar os desejos da América” relativamente a fazerem “mais para providenciar segurança na região”.

A família embarcou um voo em Islamabad rumo a Londres, de onde esperam ir para o Canadá. Aquando da retirada do Paquistão, Joshua Boyle recusou-se a embarcar num avião americano por receio de poder ser detido quando chegasse ao país. Antes de se casar com Caitlan, o americano foi casado com a irmã de Omar Kadhr, um canadiano que lutou contra os Estados Unidos no Afeganistão e esteve preso em Guantanamo, durante 10 anos. O Departamento de Justiça americano, no entanto, diz que não “procura a sua detenção”.

Em entrevista à CNN, Patrick Boyle, o pai de Joshua Boyle, revelou que a sua família já falou com o filho, que lhe descreveu como a operação de resgate decorreu. “Os cinco estavam na traseira de um carro a ser transferidos e o carro parou, rodeado por, o Josh descreveu, 35 oficiais do exército paquistanês“, disse Patrick. Segundo o pai de Josh, este ainda lhe disse que se iniciou uma troca de fogo que acabou com os “todos os cinco captores” mortos pelo exército. O único membro da família que ficou com ferimentos foi o próprio Josh, que “foi atingido com estilhaços” na perna.

Nos vários vídeos lançados ao longo destes cinco anos, o casal descreveu por várias vezes aquilo a que estavam a ser submetidos pelos talibãs. Num desses videos, em dezembro de 2016, Joshua revelou que os seus filhos viram “a sua mãe ser conspurcada”. Apesar de experiências como esta, o pai de Boyle disse ao Toronto Star que o seu filho afirmou estar bem “para alguém que passou os últimos cinco anos numa prisão subterrânea”.

O desejo maior de Caitlan e Boyle, refere a família no Canadá, é “estar em casa”. No mesmo vídeo em que Joshua descreveu aquilo a que a sua mulher foi submetida, Caitlan afirmou que se todos os membros da família sobrevivessem “seria um milagre”. Depois de cinco anos daquilo que a americana descreveu como um “pesadelo Kafkaesco”, o milagre finalmente aconteceu.