A porta-voz da Proteção Civil diz que Portugal vive “o pior dia do ano em matéria de incêndios florestais”. Há 88 incêndios ativos, 13 dos quais estão a preocupar as autoridades. “Todos os meios” de que o país dispõe estão no terreno a fazer o combate e o rescaldo dos fogos, diz Patrícia Gaspar.

Todos os distritos do país estão em alerta vermelho e a situação vai manter-se assim até ao final da tarde de segunda-feira. “Registamos 303 incêndios desde a meia noite”, diz a porta-voz da Proteção Civil numa conferência de imprensa a partir da sede da Autoridade Nacional da Proteção Civil, em Carnaxide, num momento em que estão ativos 88 incêndios em todo o país. Desses, há treze situações de “importância elevada” que motivam maiores preocupações às autoridades.

Os 13 casos mais graves dizem respeito aos fogos de Monção, Viana do Castelo, Seia na Guarda, Vale de Cambra no distrito de Aveiro, Lousã em Coimbra, Sertã em Castelo Branco, Arganil e Coimbra.

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Patrícia Gaspar sublinha que “todos os meios disponíveis no país estão empenhados no combate aos incêndios, na vigilância e no rescaldo”. Há 1938 operacionais envolvidos nestas três operações a nível nacional, com 410 equipas oriundas dos corpos de bombeiros.

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A meio da tarde, várias casas já tinham sido destruídas pelas chamas. Patrícia Gaspar referiu as situações Monção (em Velhas, São Paio e Barbeita), em que ardem várias casas, em Vale de Cambrã, onde um jardim de infância também foi consumido pelo fogo, e Lousã, localidade em que também “várias habitações foram afetadas”.

Quanto às consequências humanas dos vários fogos, a comandante da Proteção Civil refere que há 17 bombeiros feridos sem gravidade, quatro dos quais sofreram queimaduras no incêndio da Sertã e que estão à espera de uma avaliação médica. Há também seis civis feridos sem gravidade.

Para o dia de hoje, as condições previstas pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera apontam para “níveis de temperatura muito acima da média para aquilo que é o normal nesta altura do ano”, que se juntam a “humidades relativas de 10 e 20%, sobretudo no interior norte e centro do país”. A comandante destaca a situação de “um acumulado de seca” que vem “já desde praticamente desde o início do ano”, o que leva a “todos os combustíveis, sobretudo nas áreas de maior risco”, têm “uma enorme disponibilidade para arder”.

O cenário aparenta ser melhor nas próximas horas. “Há uma melhoria nas condições metereológicas no que aos incêndios diz respeito”, admite Patrícia Gaspar.

Ainda assim, a porta-voz da Proteção Civil deixa uma nota sobre aquilo que deve ser o comportamento dos cidadãos. “Abstenham-se de qualquer uso do fogo”, garantindo que haverá “tolerância zero para qualquer uso de fogo junto às áreas florestais”.

Durante o dia, foram retiradas de casa pessoas de 15 populações diferentes. Em Seia, na Guarda, por exemplo, foram retiradas 30 pessoas. Na Sertã, a mesma situação face ao aproximar das chamas de zonas habitadas. E o mesmo se passa em Monção e Lousã.