O site fogos.pt permite saber em tempo real os incêndios em todo o país e foi feito por um voluntário que não está ligado à Proteção Civil. João Pina é o diretor de tecnologia da startup MeshApp e nos tempos livres mantém o portal que criou em 2015 para facilitar o trabalho de amigos bombeiros. Neste domingo, o site bateu recordes de acessos e teve mais de um milhão e meio de visualizações, com mais de 400 mil utilizadores únicos.

Ao Observador, João diz que “desde que começaram os fogos deste fim-de-semana tem tido uma média de cinco mil pessoas no site, mas ontem durante a tarde estavam mais de dez mil ao mesmo tempo”. Reforça que “já tive de fazer dois upgrades [atualizações] ao servidor”, adianta.

O elevado volume de tráfego no site dos últimos dias tem criado problemas ao informático que ultrapassou as quotas de acesso ao Google Maps (mapa que usa para localizar os incêndios no portal) que tinha. No Twitter apelou para lhe enviarem mais “keys” (chaves digitais que permitem utilizar os serviços do Google) para poder fazer chegar a informação dos fogos a mais pessoas. Tem recebido dezenas, mas mais “são necessárias”, diz-nos.

O site usa a informação da página oficial da Proteção Civil, mas não está ligado à autoridade. Sendo a forma mais eficiente de aceder à informação de fogos em território nacional, “a caixa de mensagens tem centenas de pedidos de ajuda”, diz João Pina.

O programador assume que tenta responder a todos com o contacto da Proteção Civil. “Respondem-me a dizer que o número está interrompido ou que ninguém atende e pedem-me para enviar alguém para os salvar”, diz-nos. “Nunca recebi tantas mensagens desde que criei o fogos.pt, tenho centenas ainda para responder”.

A única fonte de receita desta ferramenta para informação sobre incêndios são anúncios automáticos do Google, que servem para cobrir os custos de manutenção básica do site. O resto do trabalho é feito por João Pina, incluindo custos que os anúncios não cobrem. Nos últimos dias tem mantido com especial esforço o site a funcionar para manter informadas as milhares de pessoas afetadas pelos fogos.