O Norte da Califórnia continua a ser assolado pelos incêndios que já mataram pelo menos 40 pessoas e queimaram cerca de 270 mil hectares. Centenas de pessoas estão desaparecidas e milhares de casas foram destruídas. A combater os fogos estão, além de bombeiros profissionais, cerca de 3.800 reclusos de prisões no estado da Califórnia, que têm a oportunidade de reduzir a pena e ganhar mais dinheiro enquanto se voluntariam para prevenir e combater incêndios.

O programa que permite que homens e mulheres que cumprem pena nas prisões é gerido pelo Departamento de Correção e Reabilitação em conjunto com o Cal Fire e com os bombeiros de Los Angeles. Os três têm responsabilidades sobre 43 áreas florestais em todo o estado, nos quais os presos cumprem a pena. Estes campos trabalham não só no combate direto aos incêndios mas também na prevenção – durante todo o ano existem trabalhos de limpeza de matas e redução de perigo de fogos e cheias.

Os únicos reclusos que se podem voluntariar para o programa são os considerados de risco mínimo e que têm melhor comportamento. Precisam de estar fisicamente em forma, ser disciplinados e saber trabalhar em equipa. Após serem aceites, participam num curso de duas semanas com os bombeiros onde aprendem as técnicas necessárias à prática da atividade e são submetidos a treino físico.

À CNN, um porta-voz para o Departamento de Correção, Bill Sessa, diz que os campos são mais informais do que uma prisão normal: os reclusos ficam em dormitórios e têm uma relação mais informal com o pessoal. A alimentação, devido ao trabalho que realizam, é de melhor qualidade e, ao contrário das prisões, os campos não têm vedações elétricas.

O trabalho dos reclusos no campo é mais bem remunerado do que na prisão. Caso não estejam na frente ativa do fogo e apenas a fazer trabalho de conservação, os reclusos recebem dois dólares por dia. Se estiverem a fazer combate aos incêndios, ao salário acresce 1 dólar por hora. Na prisão, a média de salário de um recluso está entre os 25 cêntimos e um dólar e 25 cêntimos à hora.

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Os bombeiros fazem turnos de 24 horas e descansam outras tantas. A gravidade dos incêndios na Califórnia, de acordo com Sessa, obrigou algumas equipas a fazer turnos de 72 horas até terem descanso. “A preocupação de todos é como dar um descanso a este pessoal, porque não podemos andar todo o verão assim”, disse Sessa, acrescentando que os bombeiros fizeram as 72 horas porque “tiveram de o fazer”.

Apesar de o salário nos campos ser maior do que por norma se recebe na prisão, alguns reclusos consideram que o valor recebido pelo trabalho que é feito não está longe de “condições de escravatura”. La’Sonya Edwards, uma reclusa que trabalha como bombeira, disse ao The New York Times que “precisam de receber mais pelo que fazem”. O salário de um recluso bombeiro é, sem contar com os pagamentos de combate direto ao fogo, de 500 dólares ao ano. Um bombeiro a tempo inteiro recebe, no mínimo, 40 mil dólares ao ano.

O trabalho no campo também permite aos reclusos reduzir consideravelmente as suas penas. Numa prisão normal, um dia de bom comportamento equivale a uma redução de outro tanto. Nos campos de fogos, é a dobrar: por cada dia de bom comportamento, os reclusos reduzem a pena em dois dias.

Para além do combate aos fogos, o grande objetivo do programa é reabilitar reclusos, proporcionar-lhes a oportunidade de desenvolver técnicas para a vida e, se possível, formar futuros bombeiros.

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